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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um montão de lançamentos!!!

Se você não está por dentro, fique por dentro agora! Começou essa semana o Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens (esse do logo aí do lado). Com ele vai ter muita coisa bacana (é só clicar aqui pra ver a programação). E mais bacana ainda vão ser os vários lançamentos Escrita Fina que vão acontecer lá. Quer saber quais são? Quem sabe esse é o início de uma longa história de amor entre você e seu futuro livro preferido?



E aí, bicho?
Luis Ernesto Lacombe
Biblioteca FNLIJ para Crianças
12/jun - 12:00


Maria Flor
Ana Leticia Leal e Camila Carrosine
Biblioteca FNLIJ para Crianças
12/jun - 13:00

Peixe vivo - Sem a tua companhia
Camila Carrosine
Biblioteca FNLIJ para Crianças
12/jun - 13:00

Quibungo
Maria Clara Cavalcanti
Biblioteca FNLIJ para Crianças
14/jun - 14:00

Um pirata muito só
Denise Crispun e Mariana Massarani
Biblioteca FNLIJ para Crianças
14/jun - 14:00

A coitadinha
Angélica Lopes
Espaço FNLIJ de Leitura
14/jun - 16:00


O dia seguinte
Luis Eduardo Matta
Biblioteca FNLIJ para Jovens
15/jun - 10:00


Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu
Cristina Villaça
Biblioteca FNLIJ para Crianças
17/jun - 14:00

Nos vemos lá? ;-)




quarta-feira, 1 de junho de 2011

Anna Claudia Ramos responde

A Anna Claudia é mesmo ligeira! Já respondeu tudinho pra vocês e com muita atenção e carinho. Estão curiosos? Vamos lá!



 Naniedias disse...
Que legal \o/ Vou aproveitar para fazer a minha pergunta.

Anna Claudia Ramos, como é ver seu livro já com 18 anos ganhar uma nova edição (super caprichada) e fazer tanto sucesso?
R: É muito gostoso e gratificante, me deu a dimensão que eu estava no caminho certo, pois se o livro sobreviveu ao tempo é porque ele ainda tem mito o que dizer e é quase atemporal. Na verdade a história da Mariana, a personagem central da obra, é uma história de buscas e descobertas, de autoconhecimento (que nada tem a ver com autoajuda, ok?), e quem não passa por este processo? Talvez por isso este livro tenha encantado tantos jovens há 18 anos e continue encantando os jovens hoje. Na verdade esse livro tem histórias incríveis, de pessoas que mudaram suas vidas se espelhando na coragem de Mariana. Jovens de diferentes idades, até mesmo adultos. Ganhar esta edição caprichada e poder contar com os depoimentos das pessoas que fizeram parte da primeira edição foi um presente muito especial, significa que o livro está vivo, que as pessoas continuam acreditando em seu potencial. Pra onde vão os dias que passam? está cheio de novos caminhos a percorrer. Quem sabe você vai percorrer um deles?


PARABÉNS!!!! ANNA CLÁUDIA RAMOS,
PARABÉNS!!!! EDITORA ESCRITA FINA,
O BOOKTRAILLER, REALMENTE, ESTÁ LINDO DEMAIS. AMEI.


MINHA PERGUNTA É A SEGUINTE:
POSSO DIVULGÁ- LO EM MEU BLOG?

SOU CRISTINA SÁ DO BLOG:
http://cristinasaliteraturainfantilejuvenil.blogspot.com
R: Obrigada pelo elogio, Cristina! Sou suspeita pra falar que o booktrailler está lindo, mas está mesmo, não é? Aliás, como tudo que a Escrita Fina produz, um capricho total!!

 αmαndα  disse...
Oiieee! O booktrailler ficou lindíssimo! O livro (apesar de eu ainda não ter lido-o) parece ser muito interessante! :)

Minha perguntinha é:

Quando e onde surgiu sua vontade de ser escritora?
R: Comecei a escrever profissionalmente em 1992, quer dizer, este foi o ano em que lancei meu primeiro livro, mas a escrita sempre fez parte de mim, desde muita pequena. Adorava fazer redação para a escola, diário, anotar coisas, inventar histórias. Na adolescência escrevia poesia, que foi minha primeira tentativa com uma escrita mais estruturada. Mas se eu pensar bem, a vontade nasceu foi na infância mesmo, pois sempre fui uma menina questionadora, inventadeira de histórias e sonhadora. Nunca me conformava com uma vida só, queria poder viver muitas vidas diferentes da minha. Acho que de tanto querer comecei a inventar novos mundos para morar, primeiro pelas brincadeiras de infância, depois escrevendo. Minha mãe guardou meus relatórios de escola, um deles data da minha passagem pelo jardim da infância, quando eu tinha quatro anos e um dos tópicos era: qual o cantinho preferido da aluna? O cantinho das histórias e dos livros. Ai tive certeza que desde sempre esse desejo me pertence. A certeza que eu seria escritora chegou aos dez anos, quando li o livro A bolsa amarela, da Lygia Bojunga. Copio aqui o que escrevi em meu site, acho que ilustra bem a sua pergunta:
Descobri muito cedo que a vida me faltava. Nunca estava satisfeita. Sempre queria um algo mais. Era como se uma vida só não me bastasse. Mas eu era criança, não entendia muito bem essa história de falta. Só sabia que existia uma coisa que me deixava mais feliz. A brincadeira. O jogo do faz de conta. O jogo da imaginação. E como eu adorava brincar e inventar que a vida podia ser diferente... Minha mãe chegava a dizer que não sabia onde cabia tanta imaginação numa menina só.
Claro que eu não sabia explicar essa sensação quando menina, mas sabia que se a vida não me desse qualquer coisa, eu podia inventar. Então, inventava fazenda com cavalos, montanhas, cachoeiras, casa com varanda grande, muitos primos brincando. Na vida de verdade eu não tinha nada disso, mas no faz de conta tinha. Passava horas brincando. Às vezes com meus amigos. Às vezes sozinha. Ficava quieta, com o pensamento longe, inventando um mundo novo pra morar. Não que eu não gostasse da minha vida. Não era isso. Mas eu não cabia só dentro daquela vida. Queria outras. Por isso, inventava mundos novos. Era só fazer assim: se a vida não me dava, a brincadeira me dava. Era como se a brincadeira suprisse minhas faltas e meus desejos de ter e ser diferente de tudo o que eu era. Até hoje não sei se era falta ou excesso de vida. Acho que as duas coisas ao mesmo tempo. Eu tinha excesso de vida dentro de mim, por isso mesmo acho que ela faltava, porque sempre queria mais. Queria conhecer coisas novas, lugares novos, pessoas diferentes.
Acho que foi por isso que fiquei fascinada, quando aos 10 anos, li o livro A bolsa amarela, de Lygia Bojunga. Esse livro marcou definitivamente a minha vida de leitora e escritora. A bolsa amarela tinha tudo o que eu acreditava, por isso me identifiquei  totalmente com a história e com a personagem Raquel, apesar de minha família ser muito diferente.  Ler A bolsa amarela, assim como ler vários outros livros de qualidade quando criança, foi como abrir horizontes em mim. Horizontes cheios de novas possibilidades e sonhos...
Mas acontece que eu cresci e não poderia ficar brincando tal como fazia quando criança. Então, um dia descobri uma coisa incrível: virar escritora foi a forma que encontrei de nunca parar de brincar. E hoje em dia vivo de escrever meus livros, de criar minhas histórias, onde posso brincar com meus pensamentos, meus sonhos, meus desejos, minhas faltas, minhas saudades, meus medos, minhas alegrias... Onde posso brincar com o tempo, dando forma às minhas ideias através da linguagem e da estética. Através da literatura: a arte de brincar com as palavras. A arte da narrativa, da palavra escrita. 

 CarolP disse...
Olá, já li o livro e fiz resenha no blog: http://www.burnbook.com.br/2011/03/resenha-pra-onde-vao-os-dias-que-passam.html

Gostaria de perguntar se você se inspirou em pessoas reais para construir a história, ou se foi tudo imaginação.
R: As duas coisas, Carol, me inspirei em pessoas reais sim, em muitas lembranças da minha adolescência, mas misturei tudo com muita imaginação. Quando usamos algo de nossa vida na literatura, aquele episódio deixa de ser nosso para ser de todos. Mesmo eu tendo me inspirado em pessoas reais, quando elas viram ficção não são mais as pessoas reais, viram personagens com identidade própria. A Mariana é um misto de tantas pessoas... Ela tem a força de uma amiga, a coragem de outra, os anseios que eu tinha quando adolescente, a vontade de continuar sempre querendo aprender. O Homem da Floresta eu me inspirei num amigo que é muito sábio uma pessoa muito espiritualizada. A Guardiã do Fogo é um misto de algumas pessoas que conheci ao longo da minha vida e que me deram a maturidade daquela senhora, afinal, eu escrevi este livro quando tinha apenas 25 anos...

 αmαndα  disse...
Falei deste post no meu blog:

http://www.primeiro-livro.com/2011/05/super-post.html

Beijinhos, :*
R: Obrigada, Amanda!!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

S.A.L. - Serviço de atendimento ao leitor

E o ritmo frenético da produção dos booktraillers não para! A bola da vez é o Pra onde vão os dias que passam?, outro livro vintage. Vocês sabiam que a primeira edição dele tem 18 anos? Pois é...
E pra celebrar a maioridade, com ritmo de festa, teve reedição Escrita Fina, booktrailler e mais um presentaço pra vocês!
Até sexta-feira vocês podem perguntar o que quiserem pra autora, Anna Claudia Ramos. Querem saber como ela se inspira? Se a vida de escritor é difícil? Qual a cor preferida dela? Se ela prefere Beatles ou Rolling Stones? A hora é essa! É só mandar um reply no twitter, deixar um comentário no blog ou escrever pro nosso e-mail: contato@escritafinaedicoes.com.br.
Caprichem, hein?!

Ah... e o booktrailler, como sempre, tá ES-CAN-DA-LO-SO de lindo!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma grande antiga novidade

Era uma vez uma editora debutante. Em março de 2010 nascia a Escrita Fina, sem lenço, documento e pobrezinha, pobrezinha. O barco só tinha três navegantes: Laurita, nossa editora poderosa chefona, Francisco e Jorge, os grandes homens das vendas. Marketing, booktrailler, redes sociais, eu e Carol só aconteceríamos muuuito tempo depois, em agosto.
Parece pouco, né? Mas tanta coisa aconteceu que pra gente é uma vida e em apenas um ano a Escrita Fina virou gente grande no mercado editorial.
Agora nós estamos correndo atrás do preju das pindaíbas iniciais e é por isso que pegamos um veterano pra ser nossa estrela de um booktrailler novíssimo: Contos noturnos. A Carol tem pavor dele, eu e Laura amamos. Carol é medrosa (entrego meRmo!!) e eu e Laura adoramos esquisitices. A Camila, a mente brilhante por trás dos booktraillers, captou exatamente o nervoso que os textos do livro causam. Ficou um espetáculo!
Aliás, os bastidores desse livro também são uma inspiração e tanto! Sabem como o sonho de 9 entre 10 blogueiros é ser descoberto e publicado? Pois é, gente... é possível! Contos noturnos são textos de um blog, o do André Beltrão (outra mente designer brilhante que é parceira da Escrita). Vocês sabem como a gente ama descobrir novos talentos, né? Principalmente quando eles saem dos lugares mais inusitados, como o André, que é designer ou o Lacombe, que é apresentador de TV ( e de esportes!).  (momento jabá on) Ou seja, se você acha que tá podendo, é só escrever pra gente contato@escritafinaedicoes.com.br (/momento jabá off). Quem sabe não rola um livro, hein?
Mas vamos ao que interessa... Camila Carrossine productions e Escrita Fina Edições apresentam:



xoxo,
Luiza Costa

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O processo criativo de Fernanda Morais


Olá, leitores da Escrita Fina! Fico feliz por poder escrever aqui para vocês! Já conversamos por aí através das ilustrações que produzi para alguns livros da Escrita Fina, mas hoje vou ter que me virar como posso com essa linguagem cheia de palavras.

A Laura me pediu que falasse um pouco sobre a parte que me cabe dos bastidores dos livros, o processo criativo da produção das ilustrações. Assim, seria conveniente começar esse texto desmistificando a criatividade. Ao contrário do que muitos pensam, uma solução criativa não é fruto de um súbito lampejo de inspiração (se os ilustradores dependessem disso estariam fritos!), e sim o resultado de um longo processo que exige muito trabalho e o uso de algumas técnicas. A criação começa com uma ou algumas ideias iniciais, e segue com muito trabalho em cima delas. Para que as ideias iniciais comecem a surgir, nada como um HD interno cheio de informações e referências e alguns parafusos a menos. Como referência, tudo está valendo: o livro que lemos, as pessoas que conhecemos, os lugares que visitamos, os filmes a que assistimos, as comidas que provamos, os sentimentos que experimentamos, o que vivemos. E para que tudo isso venha à tona, o mais importante é não tolher nossos pensamentos (vamos combinar que os tais parafusos a menos não nos fazem muita falta). As ideias criativas vêm de uma sucessão de associações. Quanto mais longe forem essas associações, mais inusitadas e únicas serão nossas ideias.

Essa é a base de qualquer processo criativo. A partir daí cada ilustrador segue seus métodos. O meu é assim:

Primeiro recebo o texto que terei que ilustrar. Imprimo, leio uma vez, e outra, e outra. Leio em voz alta, interpretando o texto. Leio para o espelho, leio para alguém. Leio um pedaço, depois outro. Aí eu prefiro fazer uma pausa e só continuar no dia seguinte. Nessa hora está passando um furacão pela minha cabeça. Pouco a pouco as ideias vão se assentando e algumas imagens começam a surgir. Volto ao texto, agora com uma lapiseira na mão. Começo a separar as informações e pensar na divisão do texto pelas páginas do livro. Esse é um ponto bastante técnico. É preciso manter a coerência e dar um ritmo interessante a narrativa, segurando o leitor quando tiver que fazer suspense, acelerando a leitura quando for preciso para não ficar monótono. O livro deve ser pensado como um todo, e não como páginas simples ou duplas independentes umas das outras.

Dividido o texto, vou anotando ideias sobre o que desenhar em cada página, e em seguida começo a trabalhar no espelho do livro. Em uma folha de papel desenho vários pequenos retângulos, representando as páginas do livro. Neles vou desenhando um esboço que é tão esboço que ninguém entende o que está representado ali, só eu mesma. Ele serve para que eu comece a entender a distribuição dos pesos das ilustrações e as composições de cada página. Os desenhos são muito simplificados e as formas ainda não são bem definidas. Funciona como um storyboard. É importante analisar as páginas individualmente e também em sequencia para que o ritmo do livro se ajuste ao da narrativa. Por isso é importante, pelo menos para mim, que o espelho esteja todo em uma página, para assim avaliar o todo. Isso tem a ver com uma mania esquisita que tenho: desenhar tudo bem pequeno. Acho que eu penso que, se posso ver o todo de uma só vez, tenho mais controle sobre o desenho. Não sei, vai entender…

É nesse momento que acontece a parte que mais gosto da ilustração, que é inventar a minha própria história. Gosto de procurar as lacunas no texto, acrescentar informações, criar personagens que não existem e desenvolver pequenas histórias paralelas. Por exemplo, se o autor não localiza os personagens no tempo e no espaço, vou criando um cenário coerente com a narrativa, sempre explorando as infinitas possibilidades. Ilustrar um livro é muito mais do que desenhar o que já está escrito. Assim como a escrita é uma linguagem, a ilustração também é. Ela tem força suficiente para comunicar ideias e sentimentos através das imagens. Por isso ela deve complementar o texto, e não estar subjugada a ele. Se a ilustração não acrescenta informação, ela não tem sentido, é meramente um enfeite. Claro que eu também adoro fazer graça e inventar minhas brincadeiras na ilustração, sem roubar a cena, apenas acrescentando elementos interessantes.

Depois disso tudo, começo o estudo dos personagens principais. É nessa hora que meu caderno rabiscado entra em ação, é nele que trabalho todos os esboços. Desenho, redesenho, desenho por cima. Claro que meus desenhos iniciais são bem sujos. Depois disso vem os cenários, e depois as cenas como elas foram descritas no espelho. Tudo vai começando a se encadear, embora eu tenha outra mania esquisita que às vezes me atrapalha um pouco: desenhar por partes. Dificilmente faço uma cena completa. Geralmente desenho os vários elementos que aparecerão em uma página separados, depois escaneio tudo e monto o esboço no photoshop. A vantagem desse método é poder explorar e trabalhar mais a composição de cada página, uma vez que o computador permite que os elementos sejam acrescentados ou retirados facilmente, bem como também possam ser redimensionados, rotacionados etc. Assim chego a melhores resultados. Em seguida passo a limpo esses esboços, monto um arquivo com as imagens e o texto do livro já posicionado e mando para a editora. Quando a Laura, a Luiza e a Carol aprovam todo o material começo a finalizar as ilustrações. Trabalho principalmente com ilustração digital, eventualmente acrescentando algum detalhe de trabalho manual. Então, a partir daí sento na frente do computador e começo a redesenhar tudo. Viajo nos detalhes e nas texturas. É um trabalho bastante envolvente. Depois que começo, o difícil é parar. Gosto de trabalhar nos detalhes, sempre penso no que poderia acrescentar. Por isso basicamente só termino o livro quando acabou meu tempo para trabalhar nele e já é hora de ter a aprovação final do pessoal da editora para enviá-lo para a gráfica.

Ufa! É muito trabalho! Mas vale a pena! Ver o livro pronto, recém-chegado da gráfica, compensa as horas de sono não dormidas. Ver o pessoal da editora satisfeito com o livro é a cereja do sundae. E depois ver as crianças lendo e se divertindo com os livros é a calda de chocolate com castanhas! Gostosa assim foi a experiência que eu tive nos dias 4 e 6 de maio nas duas filiais da escola Aldeia. Agradeço ao pessoal do Gente que Lê (http://www.gentequele.com.br/) por me chamarem para conversar com as crianças sobre o primeiro livro que ilustrei, Lady Fofa, com texto da Carla Yanagiura, publicado pela Escrita Fina, uma vez que ele foi adotado pela escola para ser trabalhado com alunos de diversas idades. As fotos do evento são essas aqui publicadas. Os trabalhos que as crianças desenvolveram estavam incríveis! Elas conheciam cada detalhe da história. Os mais velhos chegavam superentusiasmados, com um bombardeio de perguntas já preparado. Os mais novinhos (4, 5 anos) se encantavam com a novidade da visita e com a história que eu ia contando. Estavam tão envolvidos que, quando perguntei “E aí? Qual vestido vocês gostaram mais?”, o silêncio foi quebrado por uma gritaria de “esse aqui!”, “o rosa!”, “o de coração!” e uma correria para apontar no livro os vestidinhos escolhidos. Foi lindo! Adorei conhecer a equipe da escola Aldeia e também foi uma sorte e um prazer conhecer o Clóvis Bulcão, autor do livro Noel – o menino da Vila, e a Cristina Villaça, autora de Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!, todos da Escrita Fina, sobre os quais os alunos também desenvolveram diversos trabalhos.

Nessas visitas pude comprovar de perto que fazer o livro é só o começo. Sua produção não determina o fim do processo criativo, e sim o início do desencadeamento de diversos processos criativos que se desenvolverão na mente de cada pequeno leitor. É um privilégio poder fazer parte disso tudo! Fico feliz que minhas ilustrações tenham conquistado seu espaço no HD dessas e de outras crianças e que tenham algo a contribuir.




fotos: Fernanda Morais

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Feliz desaniversário, Andersen!


Há um mês, portanto em 2 de abril, foi comemorado o aniversário de nascimento de Hans Christian Andersen, data, aliás, que marca o Dia Internacional do Livro Infantil. Se Andersen estivesse vivo, teria completado 206 anos. Queria muito ter escrito um texto em sua homenagem, além de ter organizado a sessão de contação de histórias “Parabéns, Andersen!” com as autoras Cristina Villaça e Hellenice Ferreira. Mas, na verdade, só fui perceber, fazer contato com esse meu querer, depois da data festiva. Pensei: vou escrever mesmo assim, contar um pouquinho, resumidamente, a vida desse homem que tanto contribuiu para o desenvolvimento da literatura infantil (e que é meu ídolo, confesso!). Postarei no blog exatamente um mês depois de seu aniversário. Mas então, concluí, será um texto de comemoração de seu desaniversário (com a licença de Caroll, Alice,Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março e o Dormidongo)!Assim, cá está meu texto, minha singela homenagem.
Muitos dos que estão lendo (sim, eu acredito que o blog a cada dia que passa está sendo lido por mais e mais pessoas) sabem quem foi Hans Christian Andersen. Aos que não sabem, lhes digo agora: foi ele um famoso escritor dinamarquês de contos de fada. Nascido em 2 de abril de 1805, em Odense, cidade da Dinamarca, Hans Christian Andersen teve uma infância muito pobre. Sua mãe era lavadeira e seu pai, sapateiro. Filho único do casal, foi, por meio do pai, um amante das artes, que Andersen teve seus primeiros contatos com a literatura e o teatro. O pai sempre lhe contava histórias e fez para ele um teatrinho de marionetes com o qual Andersen não cansava de brincar.
Quando completou 11 anos, seu pai faleceu e ele teve que abandonar a escola para trabalhar. Três anos depois, Andersen se mudou para Copenhagen em busca de emprego como ator e acabou sendo aceito no Teatro Real da Dinamarca. Pouco depois, no entanto, estimulado por um colega que leu poemas seus, acabou se voltando para o estudo e a prática da literatura.
Escreveu romances adultos, peças de teatro relatos de viagens, mas foi por meio dos contos infantis que Andersen se tornou célebre. Muitos deles eram críticas à sociedade de sua época, como “A princesa e a ervilha” e “A roupa nova do rei” – uma curiosidade “O patinho feio” é uma história autobiográfica. Segundo o próprio Andersen, o patinho era ele mesmo, que sempre se considerou uma pessoa feia, com um nariz muito grande e os olhos pequeninos, como duas ervilhas.
Como até aquele momento do século XIX, praticamente não existiam autores que escrevessem para crianças, por sua grande produção voltada a esse público, Andersen é considerado um dos fundadores da literatura infantil. E é também por isso que foi instituída a Medalha Hans Christian Andersen, pela International Board on Books for Young People (IBBY), como prêmio para os maiores nomes contemporâneos da literatura infantojuvenil.
No ano passado, tive o grande prazer de conhecer Copenhagen, onde Andersen viveu durante vários anos e veio a falecer em 4 de agosto 1875. Lá tive a imensa satisfação de ver o quanto Andersen é reverenciado naquela cidade, bem como a literatura infantil. Além da famosa estátua da pequena sereia (personagem que dá título a uma das mais conhecidas histórias de Andersen) – um dos símbolos nacionais –, há uma imensa estátua do autor em uma das principais vias públicas, em frente a uma das entradas do maravilhoso Tivoli Parque (a foto acima mostra minha visita a essa estátua) e também um museu sobre a vida e obra do escritor, o Mundo Maravilhoso de Hans Christian Andersen (foi nesse local que li a informação de que o patinho feio é autobiográfico) e muitas outras esculturas que fazem referência ao autor e sua obra, como pude verificar numa visita a aos jardins públicos, ao lado do Castelo Rosenborg.
Fica aqui também minha reverência a Andersen e o imenso desejo de um dia ver, no Brasil, o mesmo amor e respeito pela literatura infantil que vi na Dinamarca.
Meu carinho a todos,
Laura

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Fazes-me falta!

Agora que começamos com essa onda de booktrailler, segurem a gente! Estamos adorando e não vamos parar mais!!!
Essa semana saiu mais um, uma homenagem às vovós, que às vezes ficam esquecidas nos dias das mães, mas... ei! Elas são mães também. E duas vezes!!!
É por isso que a gente acha que você tem que caprichar no presente dela e, como somos corujíssimos com as nossas publicações, adivinha qual a nossa sugestão?
Sim, o nosso novo booktrailler é sobre... O livro da avó:


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Porque somos altamente recomendáveis


Sabe aquele delicioso sabor de vitória? Pois é... é exatamente o que estou sentindo com a distinção de Altamente Recomendável dada a três livros da Escrita Fina (Jogo da memória, Vozes d’África e O livro da avó) pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Sabor, aliás, que senti também quando sete de nossos livros foram premiados com a inclusão no Catálogo de Bolonha, também da FNLIJ. Sabor de vitória sabe por quê? Porque somos uma editora pequena e novíssima, completamos um ano  em março. Esses atributos, portanto, configuram uma outra condição:  uma equipe diminuta. Pouquíssimas pessoas para dar conta de muito trabalho, de muitas realizações de sonhos, em situações às vezes bem adversas para uma editora incipiente como a nossa! Então, é isso aí: vitória suada e merecida (sem modéstia)! Parabéns para toda a nossa equipe!!! Agora é só correr pro abraço...
Meu carinho a todos,
Laura van Boekel

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Namore uma menina que lê



Hoje Carol me deu um puxão de orelha: “ É dia de postar no blog!” E eu estava aqui enlouquecida, porque a minha monografia roubou toda a minha inspiração e o bloqueio bloguístico tava rolando solto. Até que a providência divina, sempre ela,  colocou esse blog no meu caminho. Fui parar direto num post com o qual me identifiquei muito: Date a girl Who reads ou, em bom português, “Namore uma menina que lê”.
Por quê?
Bem... se você souber inglês, é só ler o post. Se não souber, eu vou dar um resuminho das minhas partes preferidas. Uma menina que lê finge que leu James Joyce e entendeu só pra impressionar (eu li e não entendi hehe); ela fica linda superconcentrada lendo seu livro preferido; o closet dela tem mais livros que roupas e sapatos (eu!); ela não consegue decidir se gosta da Alice ou se quer ser Alice; alguém a pede em casamento de qualquer maneira criativa e ela diz que sim (L); quando ela tiver filhos, eles terão nomes estranhos baseados em personagens da literatura e muitas outras coisinhas. O texto é uma graça =)
Eu sempre fui a menina que lê e me senti super-homenageada. Afinal, existe essa lenda urbana de que a menina que lê é a chata sociopata dos óculos fundo de garrafa. Mentira! A menina que lê é inteligente, é interessante e é linda, sim! Mesmo que tenha os óculos fundo de garrafa. A menina que lê é um charme! Meninos, deem uma chance a menina que lê. Vocês não sabem o que estão perdendo...
Meninas (e meninos) continuem lendo. Lendo sem parar. Afinal, é isso que vai garantir meu salário no fim do mês   vai fazê-los crescer no sentido mais amplo da palavra. Talvez chegue o dia em que a menina que lê (ou o menino) se torne o mais popular da escola e não a que fica no cantinho. Estou fora da escola há algum tempo, não sei se esse dia já chegou (contem nos comentários!), mas não deixem de ler NUNCA! Podem acreditar, isso vai fazer uma diferença danada no futuro.
Ah! E podem ler os livros da concorrência também. Eu deixo ;-)
Xoxo
Luíza
a menina que lê, sempre leu e sempre lerá =)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sim, nós temos booktraillers!

Agora a nossa vida digital está completa! Hoje o canal da Escrita Fina no YouTube entra no ar com nada mais, nada menos que o booktrailler de Olhos de Fogo. Ainda não viu? Aqui ó:

terça-feira, 29 de março de 2011

Andersen com a gente!



Para celebrar o dia Internacional do Livro infantil e o aniversário de um dos maiores escritores da literatura Infantil, o dinamarquês Hans Christian Andersen,  a Escrita Fina Edições e a Livraria Malasartes promovem  uma sessão de contação de histórias: Parabéns, Andersen! As contadoras serão as autoras Cristina Villaça e Hellenice Ferreira, que contarão suas histórias Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu! e Um menino chamado negrinho, ambas publicadas pela Escrita Fina Edições, bem como histórias do Andersen e contos populares.
O evento será no próprio dia Internacional do Livro Infantil,  2 de abril, sábado, às 16 horas na  Livraria Malasartes, Shopping da Gávea.

#VEMGENT!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Fazer livro de criança não é brinquedo, não!

http://www.flickr.com/photos/39718079@N00/240527448/


Hoje faz 70 anos de morte de Virgínia Woolf. Metade dos nossos queridos adolescentes que nos leem  não faz ideia de quem ela seja. E não, eles não são menos inteligentes por isso. Talvez um dia sintam vontade de ler os livros dela. Uma literatura pesada, difícil e da concorrência que bota a gente pra pensar (e muito!). Talvez jamais queiram lê-la (alô pessoal da revisão, ta certo isso? Feião!) [Carol: perfeito, dear. Revisão não só aprova como ama suas letrinhas.] e, também, isso não faz ninguém menos inteligente. E aí vocês devem estar pensando: por que raios essa louca está falando de Virginia Woolf, então? Eu digo: amo muito Virgínia (fazendo a íntima), mas não acho nem menos nem mais digna que qualquer livro infantil  e juvenil da Escrita Fina (ou até mesmo da concorrência).
O Jorge Alberto, do nosso comercial, tem uma frase ótima, que a gente sempre usa aqui: “Fazer livros é um trabalho hercúleo.” Eu diria que fazer livro pra criança é mais tenso ainda. É uma responsabilidade do caramba tomar parte na formação de caráter de uma pessoinha. Quando a pessoinha é um adolescente, aí ferrou. É uma fase turbulenta onde a gente acha que ninguém entende a gente (olha eu achando que ainda sou adolescente cof! cof!). E tem muito adolescente que busca nos livros as respostas pras doidas mudanças dessa fase da vida. Não é a toa que a Anna Claudia Ramos faz um baita sucesso com o Pra onde vão os dias que passam?, né?
É muito comum a literatura infantojuvenil ser vista do alto de narizes empinados. Talvez porque os livros, em sua maioria, não usem linguagem rebuscada ou não  sejam enoooooooormes, mas já vi muito livro “de criança” botar muita literatura adulta no chinelo. Por exemplo, eu vejo O livro da avó como um dos livros mais comoventes que eu já tive em mãos.  Capaz de me fazer chorar e pensar na vida com tanta dedicação ou mais do que um livro da Virgínia (íntima de novo!).
Como editora assistente e leitora voraz eu digo que Virginia Woolf é suprema, mas não pensem que Helena Gomes não é. Aqui nos bastidores, o trabalho é tenso, independentemente da faixa etária do livro. E digo mais: quanto mais infantil (no sentido de faixa etária) for o livro, mas noites em claro passamos (oh! Drama!). É ou não é, ilustradores?
Xoxo
Luíza Costa
Fanzoca de Virgínia Woolf e de Luís Silva e de Helena Gomes e Hellenice Ferreira e Camila Carrossine e por aí vai =)

P.S.: E hoje também é dia do revisor. Esse ser humano LEEENDO (oi, Carol!), que corrige todos os meus problemas com o novo acordo ortográfico. Parabéns, queridos!!! Sem vocês, nossos livros teriam tremas e seriam mais legais (rá! Viva La revolución!!), mas estariam com vários erros feiosos de digitação e outras muitas coisinhas mais, então, é com pesar que eu abro mão do trema pra dizer que amo vocês. TODOS CHORA (a falta de plural é intencional, revisão!!) [Carol: revisão sabe e revisão agradece : ) Dedicamos esse P.S. a nossa chefe querida, parte fundamental desta revisão (e só de todo o resto só!!!)!]

segunda-feira, 21 de março de 2011

Yes, you can!

Não, não vamos falar do Obama. Ou não. Depende. Vocês querem falar do Obama?
Papo de bêbado, né? Mas a coisa é bem essa mesmo. Resolvemos revolucionar aqui na Escrita Fina. Não tem Laura, não tem Luiza, não tem Carol... quem manda aqui é você e pronto! Afinal é você que lendo, não é mesmo?
Vamos à proposta indecente: o que você quer ler? Viu um livro gringo, gostou e ficou pensando “Poxa... nunca vão trazê-lo pro Brasil” (eu sinto sua dor... sofro isso com quase todo livro e documentário de arte que existe)? A hora é essa! Manda pra gente.
Claro, teremos que ser beeeem vaselina e deixar claro que isso não é garantia de que vamos trazer o livro, mas que vamos analisar com muito cuidado, nós vamos sim. E mais, se a coisa for boa mesmo, moveremos mundos e fundos pra ter a publicação com a gente!!
Vale comentário de post, e-mail, tweet, facebukada, sinal de fumaça, abaixo assinado, desde que a sugestão seja bacana e tenha a ver com a nossa proposta como editora (ah! e que tenhamos verba para a empreitada, lógico)...
Tão preparados? Valendo!!!

Xoxo
Luiza Costa

quinta-feira, 17 de março de 2011

Desejos e pedidos


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Bom, a ideia foi minha, então cá estou eu para prestar uma singela e pequena homenagem ao país que está sofrendo uma das maiores tragédias que já vimos.
Aliás, pra ser bem sincera, desde que isso tudo começou, o meu humor despencou pra uma escala negativa (ok, quem me conhece vai dizer que esse é o meu normal -_-").
Mas, em vez de mau humor, o que eu sinto é uma tristeza profunda. Obviamente esse tipo de catástrofe afeta todas as pessoas com um mínimo de sensibilidade... Mas, particularmente, fiquei muito triste por vários motivos, e acho que o principal deles é um meu gostar muito do Japão. Não sou uma grande estudiosa de seus costumes nem nada no gênero. (Tá, eu amo mangás, animes, conheço pouco mas gosto de J-Rock, e o idioma japonês é um dos que mais quero aprender nessa vida, tenho verdadeiro fascínio por ele. E, vou te falar, isso vem de longa data...) E ver todas as imagens de destruição, tristeza e perigo, e a reação daquele povo, sempre tão gentil e delicado, mostrando que a educação é a solução (vamos combinar, galera: zero saque. Z-E-R-O! Vocês conseguem imaginar isso acontecendo em outro lugar?), sei lá... Aquilo me abateu seriamente, e achei que a gente não podia deixar de mencionar o fato e de como sentimos imensamente por isso...

Aqui na Escrita Fina, a gente tem um livro, A sétima noite de verão, da nossa querida Janaina Tokitaka, que ilustra e reconta uma história popular japonesa. Além das ilustrações lindas, o conto é muito bonito. É sobre dois jovens deuses – Orihime e Hikoboshi – que se apaixonam, mas, ao viverem esse amor, colocam em risco o equilíbrio da vida na Terra. E aí surge este impasse: será que é necessário sacrificar para sempre um amor tão lindo? Pra descobrir, tem que ler o livro... ^^
A lenda ainda nos conta que na sétima noite do sétimo mês de todo ano, Altair e Vega – duas estrelas muito brihantes se encontram no céu, e uma grande festa é realizada no Japão. E dizem que se você quer muito algo, deve escrever seu pedido em uma fita de papel e amarrar no galho de uma árvore para conseguir sua realização. O conto se baseia em um dos maiores festivais japoneses, o Tanabata Matsuri (o Festival das Estrelas), que é comemorado também no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Quando eu li esse livro, ainda não trabalhava efetivamente na Escrita Fina (fiz a revisão como freelancer). Eu me lembro de quando a Laurinha me ligou para passar o trabalho e eu aceitei na hora, simplesmente porque tinha a ver com o Japão... E o livro não me decepcionou: imagens belas, história linda (aff, sou romântica ainda, oh dear...). Bom, tirem suas próprias conclusões : ) Vale a pena!

E, nessa de desejar muito algo, eu desejo que as coisas se resolvam da melhor maneira possível, que eles consigam superar mais uma tragédia em sua história (Hiroshima e Nagasaki também foram de uma tensão histórica...) e que na sétima noite do sétimo mês deste ano de 2011 eles já tenham forças suficientes para comemorar sua superação, que, tenho certeza, vai ocorrer...
Bom, esse é meu desejo profundo agora... Que Orihime e Hikoboshi me ouçam um pouquinho adiantados! : )

またね ; )
Carol

quarta-feira, 16 de março de 2011

Domingo tem!


Lançamento de Um menino chamado Negrinho, domingo, 16h, no puro luxo Museu da República. E você ainda sai de lá com um abraço e um autógrafo da Hellenice Ferreira. Só vai faltar o Luís, porque, infelizmente, a terrinha é looooonge. Só espero que não falte você. Vamos?

Para mais detalhes, clique na imagem e amplie.