sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Se você fosse um bicho, que bicho gostaria de ser?



Este é o mote de Soltando os bichos, escrito por Rosana Ferrão e Dylan Ralphes e ilustrado por Humberto Barros. Uma brincadeira entre mãe e filho que virou livro e será lançado no próximo domingo (27/11), às 19 horas, na Argumento do Leblon. 
Para Rosana e Dylan, cada bicho tem uma personalidade diferente, que nem gente. Então será que se fôssemos bicho, teríamos personalidade de bicho... ou de gente? Isso só lendo o livro e soltando a imaginação!
Mas... e se pudéssemos estender essa brincadeira pra outros campos? A Escrita Fina quer saber: e se você fosse um livro, que livro seria? Conta pra gente ;-)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Parabéns, Candelária!

Ilustração de Luciana Grether Carvalho para o livro Cordel da Candelária

A igreja da Candelária, um dos grandes marcos arquitetônicos, artísticos, turísticos e culturais (ufa!) do nosso Rio de Janeiro completou 200 aniversários este ano. Você conhece a história dela? Pois a Sandra Lopes ( lembra dela no Convite carioca?) conhece muito bem! E foi assim que ela montou, junto com as belas ilustras da Luciana Grether, esse presentaço chamado Cordel da Candelária. 
O livro será lançado lá mesmo, sábado, dia 26, às 9 da matina. É cedo, nós sabemos, mas quando vocês virem aqueles painéis espetaculares do pintor João Zeferino da Costa, o sono vai embora rapidinho!

E como está virando moda nesse blog que vos fala, tem entrevista comemorativa de novo! Cola aqui com a gente pra conhecer mais sobre a Sandra e a Luciana =)

Sandra Lopes


De onde saiu a ideia de fazer um livro sobre a Candelária?

Tudo começou ao escrever o Convite Carioca. Fiz vários passeios pela cidade, inclusive ao centro histórico. Destas andanças pelo Rio Antigo vieram os poemas: Os Arcos, Paço Imperial e ali pertinho uma estrofe gigante me olhava: a Candelária, majestosa e imponente! Resolvi então atender ao seu chamado e comecei a pesquisar sobre a sua construção. Deparei-me com tantos nomes, fatos e curiosidades que o texto da Candelária foi seguindo seu modelo arquitetônico e cresceu, cresceu de tal forma que se tornou uma construção textual digna de ser cantada em um cordel.

Por que um cordel?

Gosto da musicalidade, do ritmo, da construção dos versos. O tema combinou e se afinou com este gênero poético, tão popular e brasileiro. Ao mesmo tempo a riqueza do erudito com o popular e o singelo com o majestoso se fez pelo rendado das ilustrações de Luciana Grether Carvalho e com os painéis da Candelária.

Qual a sensação de ter o lançamento do livro no lugar que o inspirou, a própria Candelária?

É a segunda vez que lanço um livro no lugar de inspiração de um dos meus textos. Foi o caso do Convite Carioca que foi lançado na livraria Arlequim,
no Paço Imperial, e agora é a vez do Cordel na Candelária. É o chão da história rimando com o texto. É pisar na história com pegadas de poesia. É a arquitetura do texto se juntando à arquitetura da forma. A sensação é de fechar ou melhor de abrir com chave de ouro! A alegria é tanta que assim que soube que o lançamento seria na Igreja da Candelária, passei por lá umas três vezes pra rascunhar a emoção.

Não é o seu primeiro livro tendo o Rio como tema. Explique pra gente esta paixão.

Paixão a gente não explica. A gente sente. E não estou só neste caso de amor. Tem muito carioca de Minas, carioca da Bahia, carioca de Recife, carioca de Londres, dos Estados Unidos, que me acompanha. O Rio abraça todos os Brasis e todo o mundo!

E planos para o futuro? Conta pra gente o que vem por aí?

Conto, mas só se for em cordel! Vem por aí o Cordel da Cavalhada e o Cordel de Chico Rei. Coincidência ou não, todos eles começados pela letra C de cordel e tendo como fio a história de outras culturas que fazem parte do nosso Brasil.

Luciana Grether Carvalho



O que você acha da Candelária como patrimônio artístico e cultural da cidade?

A Igreja é fruto de uma promessa e essa é a condição da realização de tantas festas brasileiras... a história me encantou e me faz admirar ainda mais a construção.  

Qual sua parte preferida do livro?
A chegada da tripulação no Rio de Janeiro exausta de tanto mar, procurei representar a beleza da cidade e a emoção dos personagens. E é justamente essa ilustração que vem chamando mais a atenção das pessoas pra quem apresentei o livro.  
Que técnica usou nas ilustrações?

As figuras são recorte de papel, depois de digitalizadas compus as ilustrações no photoshop. As xilogravuras populares em cordéis foram inspiração para essa opção pelo preto e branco em alto contraste. Fiquei muito encantada com o resultado e mais ainda com os comentários como os da Sandra, que fez uma bonita leitura das ilustrações: é um trabalho rendado, a delicadeza dos traços e a riqueza de detalhes deram um "colorido" especial ao livro.  

O livro é uma comemoração pelos 200 anos da inauguração da igreja. Como você se sente como parte de uma celebração tão especial? Deu frio na barriga na hora de ilustrar?

Fiz uma pesquisa a partir de referências em fotos das diferentes épocas que testemunharam a construção. Estive lá, como sugere a autora em seu texto, e as pinturas de Zeferino da Costa representando os passos da construção da Candelária são uma aula de história e de arte, vale mesmo a visita.

Quando você se descobriu ilustradora?
Me descobri ilustradora em 1998, quando ilustrei o primeiro livro, quando aprendi que ser desenhista é diferente de ser ilustradora. A ilustração tem o compromisso com o texto e é um exercício contar também uma história com as imagens. Mas essa descoberta acontece a cada novo projeto.
Já temos projeto novo aqui na Escrita Fina pra você. Está animada? Qual o seu próximo passo no mundo da ilustração?

Maravilha! Contem sempre comigo! Participar de grupos de ilustração é um sonho recorrente...


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Você conhece a Abayomi?

Foto de Ivone Perez para o livro Vida que voa
Então venha conhecer na quinta-feira! Mas se você, por acaso, estiver longe da Livraria Kitabu, na Lapa, não tem problema: é só procurar a livraria mais próxima e se deliciar com o Vida que voa.

Nesse livro de Lena Martins, com ilustrações da própria Lena, da Luciana Grether Carvalho e da Carolina Figueiredo, tudo gira em torno da Abayomi. Lena é uma grande militante do movimento de mulheres negras, que com a ajuda da arte popular, procura trabalhar questões de coscientização social. Mas ela não fez tudo sozinha... outras mulheres também ajudaram a formar essa linda cooperativa, fundada em 1988. Arrasou, hein Lena! E a mulherada também!

As Bonecas Abayomi são sempre negras, já que têm as culturas africanas por trás delas. Sem cola nem costura, são feitas de retalhos e nós apenas. São personagens do dia a dia, de contos de fada, orixás... não importa muito. O que interessa é a história e a mobilização social por trás delas: racismo, sexismo, violência... todos esses assuntos desconfortáveis, mas que devem (e merecem!) ser debatidos. No Vida que voa a coisa não é tão pesada assim, mas só de ter as bonecas Abayomi como personagens, podemos sentir todo o poder cultural da cooperativa. 

E como não damos ponto sem nó, o lançamento tinha que ser num mês superespecial e que tem tudo a ver com a proposta da Lena e sua Abayomi: novembro, mês da cultura nacional (dia 5) e mês da consciência Negra (dia 20 ). Então, que tal botar todo seu lado africano pra quebrar e visitar a Kitabu, pro lançamento do Vida que voa? Vai ser dia 17 de novembro, quinta-feira, às 18h30. 
Esperamos vocês!


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Entrevista com Mirna Brasil Portella e Camila Carrossine

Domingo tem lançamento de Chuá! Chuá! Gota d'água, céu e mar e pra vocês entrarem no clima, seguem duas entrevistas bacaníssimas! Primeiro vamos conversar com a Mirna, autora do livro, e depois com a Camila, que vocês já conhecem, ilustradora desse e de mais um montão de publicações nossas.
Vamos lá?

Mirna Brasil Portella, autora



Como surgiu a inspiração para o livro Chuá! Chuá! Gota d´água, céu e mar?
Essa história nasceu de um desejo de falar sobre liberdade. A água, o rio preso que queria ser do mundo foi uma metáfora que eu usei para falar do desejo de estar em todos os lugares. E tentei fazer isso de uma forma lúdica. Definir o sentimento de liberdade para uma criança, não é algo que se possa fazer facilmente. Então, o que fiz foi construir uma história que pudesse provocar a sensação de liberdade. Desde criança a água sempre me trouxe essa sensação, o banho de chuva, de rio, de mar. Mas o texto tem vida própria. Fui sendo levada pela minha própria escrita, esse rio de palavras que, às vezes, corre sem pedir licença. Acabei escrevendo uma história sobre o ciclo da água! Depois, foi aparar as arestas.

 Qual é a sensação de lançar o primeiro livro?
Ah, é muito recompensador. É como um filho que nasce, mas que ultrapassou os nove meses de gestação. Trabalhei muito para isso, dediquei muito do meu tempo e aprendi a ter paciência, a perseverar. Foram três anos de plantio e agora acho que a época da colheita chegou. Mas é preciso seguir plantando, sempre. Senão, nada acontece.

Vc já tem outros livros a caminho?
Sim, já tenho. Nesses três anos de batalha para publicar o primeiro livro, nunca deixei de escrever. Em 2012, tem novidade chegando.

O que é a literatura infantil para vc, qual é o sentido dela para vc?
Acho que a literatura para crianças é uma porta definitiva para o mundo da literatura. E ela é tão cheia de possibilidades! Na prosa, por exemplo, gosto muito da linguagem mais próxima da oralidade, isso traz a criança mais para perto do texto. Já no texto poético, na poesia, isso é mais relativo, porque a criança não precisa entender Ipsis litteris o significado do texto. O mais importante é a sensação que ele provoca. E a leitura, assim como a memória, passa, antes de tudo, pelo afeto.
Outra coisa é que a criança vive a literatura, assim como nós, os adultos. Mas a criança não racionaliza, vive de maneira mais intensa e mais lúdica, mergulhando profundamente na história. E quando mais cedo isso acontece, mais ela se familiariza com o universo literário.




Camila Carrossine, a ilustradora



Como foi o seu processo criativo para esse livro?

É sempre muito inspirador ter um texto de qualidade para ilustrar, e a Escrita Fina (leia-se: a querida Laura) é muito boa nas escolhas. 
Primeiro pensei de maneira mais ampla, no conceito da água, no que ela significa e em sua fluidez. Por isso a opção de fazer ilustrações que começam em uma página e continuam na seguinte, e na seguinte... a idéia era dar um movimento aos desenhos - para valorizar o ciclo. Acompanhando esses movimentos, coloquei o texto, variando sua forma e tamanho, para que se integrasse às imagens.


Que técnicas de ilustração você usou?

Sei que para alguns amantes de ilustração isso pode ser frustrante. Mas não usei tintas, pincéis ou lápis de cor. Usei basicamente o computador, um mac já um pouco antigo, um software chamado photoshop e uma tablet Wacom para desenhar e pintar.


          O que te chamou mais atenção no texto da Mirna?

Ah, o texto dela é lindo! Tão sensível. Gosto do texto inteiro, mas minha parte preferida é o início: "No fundo do planeta Terra, lá no fundo, bem no fundo, havia um lago preso que queria ser do mundo". Ela fala de poesia, de liberdade, e também de lençol freático. 
É muito fácil encontrarmos textos que explicam algum assunto que acabam sendo chatos, mas Mirna consegue fugir disso nos trazendo um texto leve e fluído como o próprio tema.


           O que você sentiu quando viu o livro pronto?

Foi uma surpresa, eu não estava esperando e ele chegou aqui em casa. Foi muito gratificante ver o cuidado que a Escrita Fina teve com esse projeto. A impressão caprichosa sobre o papel reciclado que eu tinha pedido para o livro me emocionou. 
Por utilizar computador como ferramenta, sinto uma satisfação maior de ver o objeto livro, pronto, impresso e pegável.