quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Parabéns, Candelária!

Ilustração de Luciana Grether Carvalho para o livro Cordel da Candelária

A igreja da Candelária, um dos grandes marcos arquitetônicos, artísticos, turísticos e culturais (ufa!) do nosso Rio de Janeiro completou 200 aniversários este ano. Você conhece a história dela? Pois a Sandra Lopes ( lembra dela no Convite carioca?) conhece muito bem! E foi assim que ela montou, junto com as belas ilustras da Luciana Grether, esse presentaço chamado Cordel da Candelária. 
O livro será lançado lá mesmo, sábado, dia 26, às 9 da matina. É cedo, nós sabemos, mas quando vocês virem aqueles painéis espetaculares do pintor João Zeferino da Costa, o sono vai embora rapidinho!

E como está virando moda nesse blog que vos fala, tem entrevista comemorativa de novo! Cola aqui com a gente pra conhecer mais sobre a Sandra e a Luciana =)

Sandra Lopes


De onde saiu a ideia de fazer um livro sobre a Candelária?

Tudo começou ao escrever o Convite Carioca. Fiz vários passeios pela cidade, inclusive ao centro histórico. Destas andanças pelo Rio Antigo vieram os poemas: Os Arcos, Paço Imperial e ali pertinho uma estrofe gigante me olhava: a Candelária, majestosa e imponente! Resolvi então atender ao seu chamado e comecei a pesquisar sobre a sua construção. Deparei-me com tantos nomes, fatos e curiosidades que o texto da Candelária foi seguindo seu modelo arquitetônico e cresceu, cresceu de tal forma que se tornou uma construção textual digna de ser cantada em um cordel.

Por que um cordel?

Gosto da musicalidade, do ritmo, da construção dos versos. O tema combinou e se afinou com este gênero poético, tão popular e brasileiro. Ao mesmo tempo a riqueza do erudito com o popular e o singelo com o majestoso se fez pelo rendado das ilustrações de Luciana Grether Carvalho e com os painéis da Candelária.

Qual a sensação de ter o lançamento do livro no lugar que o inspirou, a própria Candelária?

É a segunda vez que lanço um livro no lugar de inspiração de um dos meus textos. Foi o caso do Convite Carioca que foi lançado na livraria Arlequim,
no Paço Imperial, e agora é a vez do Cordel na Candelária. É o chão da história rimando com o texto. É pisar na história com pegadas de poesia. É a arquitetura do texto se juntando à arquitetura da forma. A sensação é de fechar ou melhor de abrir com chave de ouro! A alegria é tanta que assim que soube que o lançamento seria na Igreja da Candelária, passei por lá umas três vezes pra rascunhar a emoção.

Não é o seu primeiro livro tendo o Rio como tema. Explique pra gente esta paixão.

Paixão a gente não explica. A gente sente. E não estou só neste caso de amor. Tem muito carioca de Minas, carioca da Bahia, carioca de Recife, carioca de Londres, dos Estados Unidos, que me acompanha. O Rio abraça todos os Brasis e todo o mundo!

E planos para o futuro? Conta pra gente o que vem por aí?

Conto, mas só se for em cordel! Vem por aí o Cordel da Cavalhada e o Cordel de Chico Rei. Coincidência ou não, todos eles começados pela letra C de cordel e tendo como fio a história de outras culturas que fazem parte do nosso Brasil.

Luciana Grether Carvalho



O que você acha da Candelária como patrimônio artístico e cultural da cidade?

A Igreja é fruto de uma promessa e essa é a condição da realização de tantas festas brasileiras... a história me encantou e me faz admirar ainda mais a construção.  

Qual sua parte preferida do livro?
A chegada da tripulação no Rio de Janeiro exausta de tanto mar, procurei representar a beleza da cidade e a emoção dos personagens. E é justamente essa ilustração que vem chamando mais a atenção das pessoas pra quem apresentei o livro.  
Que técnica usou nas ilustrações?

As figuras são recorte de papel, depois de digitalizadas compus as ilustrações no photoshop. As xilogravuras populares em cordéis foram inspiração para essa opção pelo preto e branco em alto contraste. Fiquei muito encantada com o resultado e mais ainda com os comentários como os da Sandra, que fez uma bonita leitura das ilustrações: é um trabalho rendado, a delicadeza dos traços e a riqueza de detalhes deram um "colorido" especial ao livro.  

O livro é uma comemoração pelos 200 anos da inauguração da igreja. Como você se sente como parte de uma celebração tão especial? Deu frio na barriga na hora de ilustrar?

Fiz uma pesquisa a partir de referências em fotos das diferentes épocas que testemunharam a construção. Estive lá, como sugere a autora em seu texto, e as pinturas de Zeferino da Costa representando os passos da construção da Candelária são uma aula de história e de arte, vale mesmo a visita.

Quando você se descobriu ilustradora?
Me descobri ilustradora em 1998, quando ilustrei o primeiro livro, quando aprendi que ser desenhista é diferente de ser ilustradora. A ilustração tem o compromisso com o texto e é um exercício contar também uma história com as imagens. Mas essa descoberta acontece a cada novo projeto.
Já temos projeto novo aqui na Escrita Fina pra você. Está animada? Qual o seu próximo passo no mundo da ilustração?

Maravilha! Contem sempre comigo! Participar de grupos de ilustração é um sonho recorrente...


Um comentário:

Eliane Rodrigues disse...

Parabéns! Minha filha leu como Paradidático para escola e nos apaixonamos.

Lindo. Dar vontade e vou conhecer por dentro a Candelária.