terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cotidiano

Hoje eu gostaria de contar-lhes, em linhas gerais, como é o cotidiano de nossa editora, imagino que alguns devem ter curiosidade sobre isso, né? Então, vamos lá.
O trabalho editorial propriamente dito começa com a escolha dos títulos, ou seja, com a análise dos originais que os autores nos enviam espontaneamente ou que encomendamos. Isto demanda um tempo de leitura e análise. Em se tratando de títulos nacionais, decidido que o original deve ser publicado, começa  a etapa de edição do texto. O original é enviado a um preparador/ preparadora de originais que fará a edição do texto propriamente dita observando as diretrizes da coordenadora editorial – eu­ – para o tratamento do texto (aqui, na Escrita Fina, em muitos textos, sou  eu mesma, a coordenadora, quem faz a preparação do original). Paralelo a isso, vão se desenrolando as conversas com um designer para a criação do projeto gráfico de capa e miolo (algumas vezes designers distintos fazem o projeto da capa e do miolo de um mesmo livro). No caso da literatura infantil, se desenvolve também nesse momento o acordo com um ilustrador (às vezes o designer é também o ilustrador).
Depois que termina a preparação, quando é feita por terceiros, analisamos as indicações de mudança do preparador(a), e as efetuamos,  se, realmente, ao cabo de nossa análise, as julgamos procedentes.
Em seguida, o texto é enviado para o designer e é criado definitivamente o projeto gráfico. Então se impõe o momento dos ajustes desse projeto, o que equivale a dizer que o texto passará muitas vezes das mãos do designer para as mãos da equipe editorial e vice-versa, tudo para lapidar ao máximo o livro. Finda essa parte, o texto segue para revisão (o infantil e o juvenil devem ter pelo menos duas revisões, mas o ideal são três, uma vez que estamos lidando com leitores em formação). Quando volta da revisão, temos que  checar (avaliar) as emendas sugeridas pelo revisor. Após checadas, vão para o designer para serem inseridas aquelas que são realmente necessárias. Depois de inseridas, o designer manda de volta para batermos as emendas, ou seja, verificarmos se todas foram realmente inseridas. Concomitantemente, se o livro tem ilustrações, elas também estarão sendo ajustadas, porque as ilustras não nascem sempre perfeitas. Por fim, enviamos o pdf final para os autores fazerem sua última leitura e darem sua aprovação. Vale dizer que até o derradeiro minuto antes de enviar o arquivo para a impressão (no nosso caso sempre na maravilhosa gráfica Stamppa), alterações podem e costumam ocorrer.
Bom, resumidamente, é este o nosso dia a dia na Escrita Fina.
Essa deliciosa rotina editorial eu comecei , sozinha, em agosto de 2009 (agora estou nas ótimas e eficientes companhias de Carol e Luíza) e não posso deixar de agradecer a pessoas queridas que me apoiaram e me auxiliaram  nesse iniciozinho, pessoas que confiaram em mim: Fábio Sombra, Laura Bergallo, Heloisa Prieto, Helena Gomes, Janaina Tokitaka, Gustavo Bernardo, Amâncio Leão, Moisés Liporage, Angélica Lopes, Ana Letícia Leal, Sandra Lopes, André Côrtes, John Lee Murray, Martha Werneck, a equipe do Studio Creamcrackers e a minha maravilhosa amiga, tantas vezes meu prumo e meu discernimento, Cristiane de Andrade Reis.
Meu carinho,
Laura van Boekel

Obs.: estamos saindo daqui a pouco para o lançamento do livro E aí, Bicho?, do Luís Ernesto Lacombe e  da Escrita Fina, na Argumento do Leblon, a partir das 19 horas. Encontro vcs lá?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Procura-se Tejucupapo

Devo dizer que uma das coisas mais bacanas de trabalhar na Escrita Fina é o necessário ir e vir da Biblioteca Nacional. Sim, meus caros, nem tudo o Google pode fazer por você. A máxima “se não está no Google, não existe” não vale para o mercado editorial. No entanto, se você for até a Biblioteca Nacional e não encontrar o que está procurando... aí, meu amigo, como diria Gilberto Gil, “aquele abraço!”. Foi assim que começou a saga desta editora assistente de arte que vos fala.

Não sei bem de quem partiu a ideia, mas um belo dia ficou decidido que um mapa de Pernambuco em 1640 seria imprescindível no livro Olhos de fogo (e se você quiser saber o porquê disso, leia o livro, pois eu não vou estragar a surpresa e contar aqui!!). Mais precisamente, um mapa onde constasse Tejucupapo, a Cidade Maurícia e otras cositas más. E lá fui eu pro São Google que, obviamente, pouco entende daquilo que é tão “das antigas” assim e me trouxe uns mapas lá da Holanda. Até aí, lindo.... se a gente não tivesse só duas semanas pra entrar em contato com o tal instituto holandês, conseguir trazer os mapas pro Brasil (a um custo razoável), resolver direitos de reprodução e outras burocracias e ainda colocar a nossa equipe mágica do Studio Creamcrackers pra trabalhar no mapa, no livro e colocar o bicho todo pra rodar na gráfica. Não rolou.

A segunda ideia foi ligar pro IBGE (ora pois, nós temos um instituto de GEOGRAFIA e estatística aqui em terra brasilis e não vamos usar?) e descobrir que eles também não têm coisas “das antigas”. Mas lá nos contaram que quando eles precisam de mapas do arco-da-velha, só a Biblioteca Nacional salva. E ela nos salvou também. Com a ajuda do simpático Praxidis, do departamento de cartografia, achei o mapa belíssimo que vocês encontram no livro (infelizmente sem Tejucupapo marcado). Deu trabalho, mas ver o livro prontinho e do jeitinho que a gente planejou, valeu super a pena.

Aproveitando o post e mudando de livro assunto, vamos nos gabar um pouco de ter um livro nosso recomendado pela Simone Magno, no “Tempo de Letras”, da rádio CBN: Contos Macabros. Taí mais um motivo pra ler, não é?

Beijocas,
Luíza - com z, como a do Tom Jobim ;-)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O que vem por aí...

Oi, pessoal!
Depois dessa apresentação, que dispensa comentários, vamos então iniciar nossas atividades por aqui!

E começamos no gás, porque esse último fim de semana de novembro vem cheio de lançamentos!
Teremos Cadê seu peito, mamãe?, de Ivna Maluly e ilustrado por Camila Carrossine. Será no sábado, dia 27 de novembro, às 17 horas, no Museu da República. Esse livro aborda o tema do câncer de mama de uma maneira extremamente delicada! E o lançamento ocorre no Dia Nacional de Combate ao Câncer.
No dia seguinte, 28 de novembro, às 11 horas, na Livraria Argumento (Leblon), é a vez do livro Histórias de Natal, contos populares recontados por Augusto Pessôa, que também ilustrou o livro! Ah! E ainda haverá uma sessão de contação de histórias com o próprio Augusto.

E não para por aí não! Já na terça-feira, 30 de novembro, às 19 horas, na Livraria Argumento (Leblon), o jornalista Luís Ernesto Lacombe lança o seu E aí, bicho?, com ilustrações de Ana Terra.

Uma das coisas mais saborosas do nosso meio é ver esse resultado: o livro, prontinho em nossas mãos...
Fazer um livro é um processo tão grandioso que não tem como descrever em poucas linhas!
Mas isso é história dos próximos capítulos, né?
E que venham muitos! =)

Té mais!
Carol

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Apresentação

Edito, logo existo. Ao editar, penso, duvido, questiono, me inquieto, me desencontro, me encontro, me realizo. Quando recebi a proposta de me tornar responsável pela criação e coordenação desta marca editorial, a Escrita Fina Edições, voltada para o público infantil e juvenil, confesso que fui ao Céu.
Sim, muitos desafios e ansiedade me aguardavam pela frente, mas também o prazer esperava por mim. Ah! este seria muito maior que todos os percalços, eu não tinha dúvidas. E, desde a fundação da Escrita Fina, em março deste ano, assim vem sendo. E o melhor de tudo: edito literatura infantil e juvenil, ou seja, contribuo para formação de jovens leitores. Essa contribuição busco fazer ofertando a pluralidade. Mas como, não é? Quais são os critérios que definem essa pluralidade a que me refiro? Pra mim, são dois os principais: o prazer estético e o prazer intelectual. Os livros da Escrita Fina Edições buscam, por meio da arte da palavra, da elegância discursiva (passível de estar presente tanto em registros formais quanto informais) e da beleza das imagens gráficas, proporcionar ao jovem leitor não nenhum tipo de lição, mas, sim, oportunidades de questionamento, de construção de sentido, de ressignificação e de fruição, tanto no plano emocional quanto no intelectual. O que pretendo é oferecer aos leitores (em sua maioria crianças e adolescentes) terreno propício para interpretações, investigações, ou seja, para o exercício de sua subjetividade. E assim também ajudar a mostrar que a literatura infantil e a juvenil não devem ser tratadas como um degrau para a literatura destinada ao público adulto, uma vez que elas não são um vir a ser, mas simplesmente são; carregam suas especificidades próprias, de imenso e cabal valor.
Bom, estes são meus objetivos editoriais, que obviamente não realizarei sozinha, mas sempre com  a participação de minha competente equipe editorial: Carol, encarregada de me assessorar na edição de textos, e Luíza, na edição de arte gráfica. 

Um beijo carinhoso,
Laura van Boekel