segunda-feira, 23 de maio de 2011

S.A.L. - Serviço de atendimento ao leitor

E o ritmo frenético da produção dos booktraillers não para! A bola da vez é o Pra onde vão os dias que passam?, outro livro vintage. Vocês sabiam que a primeira edição dele tem 18 anos? Pois é...
E pra celebrar a maioridade, com ritmo de festa, teve reedição Escrita Fina, booktrailler e mais um presentaço pra vocês!
Até sexta-feira vocês podem perguntar o que quiserem pra autora, Anna Claudia Ramos. Querem saber como ela se inspira? Se a vida de escritor é difícil? Qual a cor preferida dela? Se ela prefere Beatles ou Rolling Stones? A hora é essa! É só mandar um reply no twitter, deixar um comentário no blog ou escrever pro nosso e-mail: contato@escritafinaedicoes.com.br.
Caprichem, hein?!

Ah... e o booktrailler, como sempre, tá ES-CAN-DA-LO-SO de lindo!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma grande antiga novidade

Era uma vez uma editora debutante. Em março de 2010 nascia a Escrita Fina, sem lenço, documento e pobrezinha, pobrezinha. O barco só tinha três navegantes: Laurita, nossa editora poderosa chefona, Francisco e Jorge, os grandes homens das vendas. Marketing, booktrailler, redes sociais, eu e Carol só aconteceríamos muuuito tempo depois, em agosto.
Parece pouco, né? Mas tanta coisa aconteceu que pra gente é uma vida e em apenas um ano a Escrita Fina virou gente grande no mercado editorial.
Agora nós estamos correndo atrás do preju das pindaíbas iniciais e é por isso que pegamos um veterano pra ser nossa estrela de um booktrailler novíssimo: Contos noturnos. A Carol tem pavor dele, eu e Laura amamos. Carol é medrosa (entrego meRmo!!) e eu e Laura adoramos esquisitices. A Camila, a mente brilhante por trás dos booktraillers, captou exatamente o nervoso que os textos do livro causam. Ficou um espetáculo!
Aliás, os bastidores desse livro também são uma inspiração e tanto! Sabem como o sonho de 9 entre 10 blogueiros é ser descoberto e publicado? Pois é, gente... é possível! Contos noturnos são textos de um blog, o do André Beltrão (outra mente designer brilhante que é parceira da Escrita). Vocês sabem como a gente ama descobrir novos talentos, né? Principalmente quando eles saem dos lugares mais inusitados, como o André, que é designer ou o Lacombe, que é apresentador de TV ( e de esportes!).  (momento jabá on) Ou seja, se você acha que tá podendo, é só escrever pra gente contato@escritafinaedicoes.com.br (/momento jabá off). Quem sabe não rola um livro, hein?
Mas vamos ao que interessa... Camila Carrossine productions e Escrita Fina Edições apresentam:



xoxo,
Luiza Costa

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O processo criativo de Fernanda Morais


Olá, leitores da Escrita Fina! Fico feliz por poder escrever aqui para vocês! Já conversamos por aí através das ilustrações que produzi para alguns livros da Escrita Fina, mas hoje vou ter que me virar como posso com essa linguagem cheia de palavras.

A Laura me pediu que falasse um pouco sobre a parte que me cabe dos bastidores dos livros, o processo criativo da produção das ilustrações. Assim, seria conveniente começar esse texto desmistificando a criatividade. Ao contrário do que muitos pensam, uma solução criativa não é fruto de um súbito lampejo de inspiração (se os ilustradores dependessem disso estariam fritos!), e sim o resultado de um longo processo que exige muito trabalho e o uso de algumas técnicas. A criação começa com uma ou algumas ideias iniciais, e segue com muito trabalho em cima delas. Para que as ideias iniciais comecem a surgir, nada como um HD interno cheio de informações e referências e alguns parafusos a menos. Como referência, tudo está valendo: o livro que lemos, as pessoas que conhecemos, os lugares que visitamos, os filmes a que assistimos, as comidas que provamos, os sentimentos que experimentamos, o que vivemos. E para que tudo isso venha à tona, o mais importante é não tolher nossos pensamentos (vamos combinar que os tais parafusos a menos não nos fazem muita falta). As ideias criativas vêm de uma sucessão de associações. Quanto mais longe forem essas associações, mais inusitadas e únicas serão nossas ideias.

Essa é a base de qualquer processo criativo. A partir daí cada ilustrador segue seus métodos. O meu é assim:

Primeiro recebo o texto que terei que ilustrar. Imprimo, leio uma vez, e outra, e outra. Leio em voz alta, interpretando o texto. Leio para o espelho, leio para alguém. Leio um pedaço, depois outro. Aí eu prefiro fazer uma pausa e só continuar no dia seguinte. Nessa hora está passando um furacão pela minha cabeça. Pouco a pouco as ideias vão se assentando e algumas imagens começam a surgir. Volto ao texto, agora com uma lapiseira na mão. Começo a separar as informações e pensar na divisão do texto pelas páginas do livro. Esse é um ponto bastante técnico. É preciso manter a coerência e dar um ritmo interessante a narrativa, segurando o leitor quando tiver que fazer suspense, acelerando a leitura quando for preciso para não ficar monótono. O livro deve ser pensado como um todo, e não como páginas simples ou duplas independentes umas das outras.

Dividido o texto, vou anotando ideias sobre o que desenhar em cada página, e em seguida começo a trabalhar no espelho do livro. Em uma folha de papel desenho vários pequenos retângulos, representando as páginas do livro. Neles vou desenhando um esboço que é tão esboço que ninguém entende o que está representado ali, só eu mesma. Ele serve para que eu comece a entender a distribuição dos pesos das ilustrações e as composições de cada página. Os desenhos são muito simplificados e as formas ainda não são bem definidas. Funciona como um storyboard. É importante analisar as páginas individualmente e também em sequencia para que o ritmo do livro se ajuste ao da narrativa. Por isso é importante, pelo menos para mim, que o espelho esteja todo em uma página, para assim avaliar o todo. Isso tem a ver com uma mania esquisita que tenho: desenhar tudo bem pequeno. Acho que eu penso que, se posso ver o todo de uma só vez, tenho mais controle sobre o desenho. Não sei, vai entender…

É nesse momento que acontece a parte que mais gosto da ilustração, que é inventar a minha própria história. Gosto de procurar as lacunas no texto, acrescentar informações, criar personagens que não existem e desenvolver pequenas histórias paralelas. Por exemplo, se o autor não localiza os personagens no tempo e no espaço, vou criando um cenário coerente com a narrativa, sempre explorando as infinitas possibilidades. Ilustrar um livro é muito mais do que desenhar o que já está escrito. Assim como a escrita é uma linguagem, a ilustração também é. Ela tem força suficiente para comunicar ideias e sentimentos através das imagens. Por isso ela deve complementar o texto, e não estar subjugada a ele. Se a ilustração não acrescenta informação, ela não tem sentido, é meramente um enfeite. Claro que eu também adoro fazer graça e inventar minhas brincadeiras na ilustração, sem roubar a cena, apenas acrescentando elementos interessantes.

Depois disso tudo, começo o estudo dos personagens principais. É nessa hora que meu caderno rabiscado entra em ação, é nele que trabalho todos os esboços. Desenho, redesenho, desenho por cima. Claro que meus desenhos iniciais são bem sujos. Depois disso vem os cenários, e depois as cenas como elas foram descritas no espelho. Tudo vai começando a se encadear, embora eu tenha outra mania esquisita que às vezes me atrapalha um pouco: desenhar por partes. Dificilmente faço uma cena completa. Geralmente desenho os vários elementos que aparecerão em uma página separados, depois escaneio tudo e monto o esboço no photoshop. A vantagem desse método é poder explorar e trabalhar mais a composição de cada página, uma vez que o computador permite que os elementos sejam acrescentados ou retirados facilmente, bem como também possam ser redimensionados, rotacionados etc. Assim chego a melhores resultados. Em seguida passo a limpo esses esboços, monto um arquivo com as imagens e o texto do livro já posicionado e mando para a editora. Quando a Laura, a Luiza e a Carol aprovam todo o material começo a finalizar as ilustrações. Trabalho principalmente com ilustração digital, eventualmente acrescentando algum detalhe de trabalho manual. Então, a partir daí sento na frente do computador e começo a redesenhar tudo. Viajo nos detalhes e nas texturas. É um trabalho bastante envolvente. Depois que começo, o difícil é parar. Gosto de trabalhar nos detalhes, sempre penso no que poderia acrescentar. Por isso basicamente só termino o livro quando acabou meu tempo para trabalhar nele e já é hora de ter a aprovação final do pessoal da editora para enviá-lo para a gráfica.

Ufa! É muito trabalho! Mas vale a pena! Ver o livro pronto, recém-chegado da gráfica, compensa as horas de sono não dormidas. Ver o pessoal da editora satisfeito com o livro é a cereja do sundae. E depois ver as crianças lendo e se divertindo com os livros é a calda de chocolate com castanhas! Gostosa assim foi a experiência que eu tive nos dias 4 e 6 de maio nas duas filiais da escola Aldeia. Agradeço ao pessoal do Gente que Lê (http://www.gentequele.com.br/) por me chamarem para conversar com as crianças sobre o primeiro livro que ilustrei, Lady Fofa, com texto da Carla Yanagiura, publicado pela Escrita Fina, uma vez que ele foi adotado pela escola para ser trabalhado com alunos de diversas idades. As fotos do evento são essas aqui publicadas. Os trabalhos que as crianças desenvolveram estavam incríveis! Elas conheciam cada detalhe da história. Os mais velhos chegavam superentusiasmados, com um bombardeio de perguntas já preparado. Os mais novinhos (4, 5 anos) se encantavam com a novidade da visita e com a história que eu ia contando. Estavam tão envolvidos que, quando perguntei “E aí? Qual vestido vocês gostaram mais?”, o silêncio foi quebrado por uma gritaria de “esse aqui!”, “o rosa!”, “o de coração!” e uma correria para apontar no livro os vestidinhos escolhidos. Foi lindo! Adorei conhecer a equipe da escola Aldeia e também foi uma sorte e um prazer conhecer o Clóvis Bulcão, autor do livro Noel – o menino da Vila, e a Cristina Villaça, autora de Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!, todos da Escrita Fina, sobre os quais os alunos também desenvolveram diversos trabalhos.

Nessas visitas pude comprovar de perto que fazer o livro é só o começo. Sua produção não determina o fim do processo criativo, e sim o início do desencadeamento de diversos processos criativos que se desenvolverão na mente de cada pequeno leitor. É um privilégio poder fazer parte disso tudo! Fico feliz que minhas ilustrações tenham conquistado seu espaço no HD dessas e de outras crianças e que tenham algo a contribuir.




fotos: Fernanda Morais

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Feliz desaniversário, Andersen!


Há um mês, portanto em 2 de abril, foi comemorado o aniversário de nascimento de Hans Christian Andersen, data, aliás, que marca o Dia Internacional do Livro Infantil. Se Andersen estivesse vivo, teria completado 206 anos. Queria muito ter escrito um texto em sua homenagem, além de ter organizado a sessão de contação de histórias “Parabéns, Andersen!” com as autoras Cristina Villaça e Hellenice Ferreira. Mas, na verdade, só fui perceber, fazer contato com esse meu querer, depois da data festiva. Pensei: vou escrever mesmo assim, contar um pouquinho, resumidamente, a vida desse homem que tanto contribuiu para o desenvolvimento da literatura infantil (e que é meu ídolo, confesso!). Postarei no blog exatamente um mês depois de seu aniversário. Mas então, concluí, será um texto de comemoração de seu desaniversário (com a licença de Caroll, Alice,Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março e o Dormidongo)!Assim, cá está meu texto, minha singela homenagem.
Muitos dos que estão lendo (sim, eu acredito que o blog a cada dia que passa está sendo lido por mais e mais pessoas) sabem quem foi Hans Christian Andersen. Aos que não sabem, lhes digo agora: foi ele um famoso escritor dinamarquês de contos de fada. Nascido em 2 de abril de 1805, em Odense, cidade da Dinamarca, Hans Christian Andersen teve uma infância muito pobre. Sua mãe era lavadeira e seu pai, sapateiro. Filho único do casal, foi, por meio do pai, um amante das artes, que Andersen teve seus primeiros contatos com a literatura e o teatro. O pai sempre lhe contava histórias e fez para ele um teatrinho de marionetes com o qual Andersen não cansava de brincar.
Quando completou 11 anos, seu pai faleceu e ele teve que abandonar a escola para trabalhar. Três anos depois, Andersen se mudou para Copenhagen em busca de emprego como ator e acabou sendo aceito no Teatro Real da Dinamarca. Pouco depois, no entanto, estimulado por um colega que leu poemas seus, acabou se voltando para o estudo e a prática da literatura.
Escreveu romances adultos, peças de teatro relatos de viagens, mas foi por meio dos contos infantis que Andersen se tornou célebre. Muitos deles eram críticas à sociedade de sua época, como “A princesa e a ervilha” e “A roupa nova do rei” – uma curiosidade “O patinho feio” é uma história autobiográfica. Segundo o próprio Andersen, o patinho era ele mesmo, que sempre se considerou uma pessoa feia, com um nariz muito grande e os olhos pequeninos, como duas ervilhas.
Como até aquele momento do século XIX, praticamente não existiam autores que escrevessem para crianças, por sua grande produção voltada a esse público, Andersen é considerado um dos fundadores da literatura infantil. E é também por isso que foi instituída a Medalha Hans Christian Andersen, pela International Board on Books for Young People (IBBY), como prêmio para os maiores nomes contemporâneos da literatura infantojuvenil.
No ano passado, tive o grande prazer de conhecer Copenhagen, onde Andersen viveu durante vários anos e veio a falecer em 4 de agosto 1875. Lá tive a imensa satisfação de ver o quanto Andersen é reverenciado naquela cidade, bem como a literatura infantil. Além da famosa estátua da pequena sereia (personagem que dá título a uma das mais conhecidas histórias de Andersen) – um dos símbolos nacionais –, há uma imensa estátua do autor em uma das principais vias públicas, em frente a uma das entradas do maravilhoso Tivoli Parque (a foto acima mostra minha visita a essa estátua) e também um museu sobre a vida e obra do escritor, o Mundo Maravilhoso de Hans Christian Andersen (foi nesse local que li a informação de que o patinho feio é autobiográfico) e muitas outras esculturas que fazem referência ao autor e sua obra, como pude verificar numa visita a aos jardins públicos, ao lado do Castelo Rosenborg.
Fica aqui também minha reverência a Andersen e o imenso desejo de um dia ver, no Brasil, o mesmo amor e respeito pela literatura infantil que vi na Dinamarca.
Meu carinho a todos,
Laura