quinta-feira, 24 de maio de 2012

O outro lado


Nas últimas semanas o Facebook (sempre ele) tem reproduzido muito essa foto aqui ó: 
fonte: http://mstrkay.tumblr.com/

Pra uns, uma verdadeira ode aos tempos modernos e como eles tornam a leitura algo superacessível. Pra outros, uma abominação, a prova de que o livro de papel está morrendo (quando, na verdade, a presença dele ali prova justamente que the hills are alive with the sound of music ele tá é vivão da silva!). Pra gente, um grande sorriso no rosto e uma ruguinha de preocupação. O sorrisão é porque toda forma de ler vale a pena, e dar de cara com um grupo de pessoas assim tão compenetradas em suas leituras é pra animar o dia de qualquer editor. A ruguinha é pela constatação imediata de que a f oto não foi tirada em terras tupiniquins.
Não é pelo Macbook, pelo Kindle, pelo Iphone (que a gente vê de vez em quando/quase nunca num transporte público) que fica óbvia a "gringuice" da foto. É pela triste lembrança de que, no dia a dia, dificilmente veríamos uma fileira de pessoas lendo num transporte público ou em qualquer outro lugar. O tabefe na nossa cara para lembrar que a gente ainda não chegou lá, na sociedadede leitores assíduos que tanto sonhamos pro nosso país.
Mas quer saber? Tabefes na cara, às vezes, são bons (quando metafóricos, claro. Não é pra sair por aí esbofeteando todo mundo e dizendo que foi a Escrita que mandou, hein?!). Servem pra fazer a gente acordar. A gente, que respira e pulsa livros 24 horas por dia, 7 dias por semana, às vezes esquece de que o universo de não leitores é muito maior do que o nosso mundo mágico da literatura. E é preciso lembrar que é pra esse universo que a gente dá sangue, suor e lágrimas no trabalho todos os dias. É pra trazer essa galera pro nosso mundo mágico.
A princípio, bateu uma tristeza ao constatar que o pessoal da foto jamais poderia ser brazuca. Mas passado o susto da bofetada, vem a inspiração que só ela proporciona. É esse mundo que a gente quer e é pra isso que a gente existe. Ver o lado feio de vez em quando é necessário pra que os objetivos fiquem mais nítidos.
Toda editora quer ver seus livros serem lidos e vendidos. Nós queremos que eles cheguem a quem jamais chegariam. E, quem sabe um dia, a foto acima não seja feita num metrô pertinho de você?
Partiu transformar o Brasil num país de leitores compulsivos como nós? ;-)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Socorro! Ninguém me publica!


Foto de Katie Krueger


Calma, meu povo. Tio Sam Escrita Fina wants you! Mas o mais importante da jogada é: será que você quer a Escrita? De tanto levar frechada do teu olhar receber original (e nós amamos muito tudo isso), achamos de bom tom dar umas dicas pra você que está procurando uma casa pro seu livro. Baseado nos e-mails que mais chamaram a nossa atenção nesses últimos anos, aí vão algumas dicas nossas de como gritar o seu original pra gente.

Obs.: Sim, nós lemos tudo o que chega. Tudo mesmo! Até aqueles e-mails sem nada ou enviados pra mil editoras ao mesmo tempo (o que é uma gafe tremenda e a gente vai explicar por quê). Mas não custa nada tentar se fazer ouvir, né? Vamos dar uma caprichada, pessoal!

Dica 1: Diga "Alô, Cristina. Oi!"
Algumas linhazinhas explicando quem você é, de onde vem, pra onde vai, já são meio caminho andado. Sim, a gente lê tudo, mas quando a apresentação do e-mail é bacana, a empolgação já começa ali. Vamos com muito mais sede ao prato principal se a entrada é boa, não é? Mas atenção: são linhazinhas. Inhas. Inhas mesmo. São muitos, muitos e-mails que chegam pra gente e, infelizmente, não dá pra ler nada que seja muito gigantesco e floreado. Seja objetivo, porém empolgante ;-)

Dica 2: Saiba pra quem você está enviando seu original
Não custa nada dar uma googlada de 30 segundos sobre a editora, né? Se o seu romance não tem nada a ver com o universo infantil e juvenil, talvez a Escrita não seja a casa ideal pra ele. Além do mais, você precisa saber como o seu livro vai ser tratado. Você mandaria seu filho pra qualquer creche? Então! Tenha certeza de que a editora pra onde você mandou o seu original vai cuidar dele de uma maneira que te agrade.

Dica 3: Não atire pra todos os lados (ou, pelo menos, disfarce)
Ok. Nós sabemos que a vida de escritor é difícil e achar uma editora é um parto, mas não precisa jogar isso na nossa cara =) A publicação de um livro é uma via de mão dupla, pois cada um aqui bota um pouquinho do seu coração (brega, porém verdade) no processo. Somos apaixonados pelo que fazemos e gostamos (como todo mundo) de nos sentir especiais. Diga-nos porque você quer seu livro conosco, mande um e-mail só pra gente. Vai ser meio chato escrever um e-mail especial pra cada editora que você tiver em mente, mas pode confiar: vai causar uma ótima impressão!

Dica 4: Paciência é uma virtude
Vamos contar um segredo: conselhos editoriais são minúsculos e nada, nadica, é aprovado sem ser lido por, pelo menos, umas duas pessoas. O que queremos dizer com isso? Que a resposta demora. É assim mesmo. Não é descaso, muito pelo contrário. É um mix de alto comprometimento da nossa parte em ler tudo com o maior cuidado, a grande quantidade de coisas que chegam na nossa caixa de e-mail e o pouco tempo e pessoal que temos pra dar conta de tudo. A Escrita é pequenininha, lembram?

Dica 5: Críticas são amigas
É sério! Ninguém curte descobrir suas falhas, mas é isso que faz a gente crescer. Preste atenção nos feedbacks, mesmo que eles venham acompanhados de um "não". A gente aqui adora um escritor/ilustrador iniciante e temos uma baita disposição pra ajudá-los a crescer. Talvez o seu livro precise de uns retoques (todo livro precisa!) e isso não é motivo pra se chatear nem com a gente, nem com você mesmo. Aqui o negócio é trabalho em equipe! Nós também não estamos sempre certos e adoramos aprender com vocês.

Então? Preparados pra quebrar esse medo paralisante de ser avaliado por uma editora? Queremos ver você no nosso contato@escritafinaedicoes.com.br ;-)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Frio no Rio


Foto de: Erik Fitzpatrick



Já é Natal Outono na Leader Magazine! E, finalmente, ele resolveu se fazer presente nessas últimas semanas gélidas cariocas. Sim, pra carioca, baixou dos 20 graus, virou frio polar ;-p O que pra muitos é uma tristeza sem fim, já que isso significa o término definitivo do Verão. Mas nós somos otimistas toda vida, vemos tudo pelo lado bom e temos argumentos fortíssimos pra convencê-los de que um friozinho de leve pode ser uma maravilha, querem ver?
Primeiro e óbvio: No tempo mais fresquinho a gente lê mais. Não rola do bumbum ficar quente na cadeira, do colchão fazer calor nas costas, da rede pinicar com o suor... ou seja, ficar quietinho não incomoda. E pra ler é preciso ficar quietinho.
Segundo: Chocolate quente! Esse tempinho chuvoso pede, né? Ok... em tese, chocolate pelando tá mais pra pedida de Inverno e... e... Ah! Quer saber? E lá se precisa de desculpa pra se entupir de chocolate?
Terceiro: O céu é mais azul. Juro, juro mesmo! Tá... forcei, porque ultimamente o tempo anda feio pra chuchu, mas reparem só nos próximos dias de Sol. As cores ficam bem mais bonitas e vivas no Outono e isso não é papo fotógrafo wannabe. 
Quarto: Flores, flores, muitas flores! Quem disse que isso é privilégio só da Primavera? O Outono é a época das Begônias, das Camélias, de Bico de Papagaio (que dura o ano todinho, mas fica vermelho mesmo só agora) e, é claro, da Flor de Maio. 
Quinto: Detox!!! Depois de meses de pura fanfarra, é agora que a gente dá um descanso pro corpitcho. Ele merece, né? 
Taí a listinha Escrita Fina, mas a gente quer mesmo é saber da de vocês. Qual a pedida dos nossos leitores pra esse friozinho? A nossa dica é ir até a livraria mais próxima e catar uma leitura bacana pra mamãe (ou esqueceram que domingo é o dia dela?), ou, se a preguiça realmente estiver forte, a internet tá aí pra isso ;-)
A gente tem uma seleção ótima para tempos polares como esse. Onde? Aqui!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Não para, não para, não para, não!




Lá se foram duas semanas de Salão FNLIJ, veio o feriadão e vocês pensaram: Oba! Descanso!
Rá! Pegadinha do Mallandro pra vocês! Neste fim de semana, a fanfarra literária segue seu rumo em Santa Teresa, aqui em terras cariocas. Abram alas praFLIST passar, galera! Pra quem não a conhece, eis seu nome completo: é a Festa (e que festa!) Literária de Santa Teresa e este ano ela rola nos dias cinco e seis de maio, das oito da manhã às seis da tarde (haja café!). A programação você confere no site: sábado e domingo
Poderíamos passar linhas e linhas tentanto explicar a grandeza da festa, mas vamos deixar pra quem entende, os próprios Flistianos ;-) Abaixo, o vídeo do que rolou na FLIST do ano passado, que homenageou Bartholomeu Campos de Queirós (esse ano os louros vão pra Joel Rufino dos Santos):



E, como não podia deixar de ser, tem Escritafinenses na área também!
No sábado, às dez da manhã, Lucia Bettencourt desenrola um bate-papo sobre A cobra e a corda e Botas e Bolas no Parque das Ruínas. No domingo, também às dez da matina e também no Parque das Ruínas, rola Vida que voa com a presença de Lena Martins, Luciana Grether Carvalho e Carolina Figueiredo. Mais tarde, às 15h, Hellenice Ferreira entra em cena com A lenda do Alecrim e Namoro encantadoE às 16h, Anna Claudia Ramos medeia um debate bem bacana sobre a AEILIJ.

Claro que a coisa não para por aí! Tem muito mais rolando no evento, e a nossa dica é olhar cada linhazinha da programação. 
E, então, quem vem com a gente?

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Resumão FNLIJ


Foto de Hellenice Ferreira
Dizem que tudo o que é bom dura pouco. Deve ser por isso que, por mais agitada que tenha sido a nossa participação no Salão da FNLIJ, a semana passou voando. De repente, PUFT!, acabou-se =(

Nossa maratona de lançamentos começou dia 19, com Qualquer chãoleva ao céu, em que a Cristina falou muito bem, deixando todas as crianças superatentas ao dar "uma aula" sobre a tolerância e o respeito entre as pessoas e as diferentes culturas.
Antes, às 9 horas, foi a vez da Sandra lopes e Luciana Grether Carvalho lançarem o Cordel da Candelária no Salão. Foi lindo, porque a Luciana,que fez as ilustras com recorte, resolveu mostrar a técnica ao vivo. Fez vários desenhos com recortes. As crianças ficaram boquiabertas, emocionadas mesmo. Ela era espontanea e calorosamente aplaudida pelos estudantes ao fim de cada desenho. E eles, embevecidos, com sorriso nos rosto, pediam para ver com as mãos os recortes. Foi lindo!

Dia 21 foi a vez de Ana Lúcia Merege lançar Pão e arte num papo muito legal com a plateia.
A Ana começou perguntando para a galera sobre os gostos literários, seus escritores preferidos, até que, PÁ!, chegou à literatura fantástica, que é a praia dela. Depois falou do Pão e arte e prendeu a atenção da platéia. Foi muito legal!!!
Nesse mesmo dia, também rolou o lançamento de Tem um morcego nomeu pombal. Moisés Liporage e Julio Carvalho deram um show de simpatia, conversaram animadamente com a plateia, que estava cheia de crianças. Começou vazio, vazio e acabou bem cheio. O Julio reproduziu ali, na hora, um dos desenhos do livro. Arraso total!

O dia 24 foi de Fábio e Sabina Sombra com seus cordéis: Maracatu e Folia de reis. A Sabina fez questão de levar os originais de seus bordados e deixar todo mundo boquiaberto.

O dia 25 foi cheio! O lançamentos simultâneos do Antônio e Chuá! Chuá! Gota d`água, céu e mar, foram lindos! Mirna leu magnificamente o seu Chuá! Chuá! e Hugo, autor de Antônio, deu um show: com sua prática de professor prendeu totalmente a atenção das crianças e as fez participarem. Começou dizendo que tinha escrito o livro para tornar as crianças felizes, principalmente aquelas que carregavam uma dor e sofriam caladas. Ele falou da importância de falar do que incomoda, que não se deve guardar, e foi o tempo todo supersensível e cuidadoso. Fez as crianças gritarem um Ahhhh! bem alto pra descarregar qualquer dor que estivesse dentro delas e sinalizou a importância da literatura pra nos apoiar em vários momentos da vida, como ocorreu com o Antônio.
Ao final, quando as crianças puderam perguntar, na verdade, elas fizeram relatos em público de suas dores. Um dos meninos, de seis anos, disse: "meu pai saiu de casa, bateu a porta e me deixou lá sozinho". Foi superemocionante e a gente tá aqui com os olhos marejados só de lembrar da cena. O livro já começa a cumprir seu papel, conforme desejávamos...
O lançamento de Alecrim e de O menino que tinha medo de errar também teve momentos muito bacanas. A Camila Carrossine, ilustradora de O menino..., fez questão de prestigiá-lo e também aos dois outros livros ilustrados por ela, Antônio e Chuá! Chuá! Já a Aline Haluch, ilustradora de A lenda doAlecrim, curtiu horrores seu primeiro lançamento na FNLIJ. Estava bem cheio e Hellenice com sua simpatia e experiência em “controle de turma” deu um banho. Andrea Taubmann, de O menino..., como sempre, de sorrisão no rosto! Nossa, que cenas lindas!
Depois, o lançamento de Amor de Mãe d’água e do Namoro encantado contou com a presença da Secretária de Educação de Duque de Caxias, Rachel Barreto. Hellenice Ferreira contou as histórias enquanto a Luciana Grether Carvalho desenhava uma cena do Namoro. A Luíza, ilustradora do Amor...não pode ir, mas diz ela, que estava emanando vibrações boníssimas de terras gringas distantes ;-) Vocês sentiram?
O lançamento de A cobra e a corda , Botas e Bolas e Odono da Lua também foi muito emocionante, pois havia na plateia uma turma de alunos especiais, que participou bastante do bate-papo. Fernanda morais, nossa querida, desenhou ao vivo e ficou lindo! Martha Werneck não pôde comparecer (snif!) por uma causa justa: sua tese de doutorado, mas certeza absoluta de que ela também tava emanando as boas vibes de longe =)

Dia 27 foi a vez de Família alegria e O banho de Ninacom três craques no trato com os pequenos: Cristina Villaça, Ana Cristina Mello e Cris Alhadeff (um festival de Cristinas... será que o segredo está no nome?). E assim enecerrou-se a nossa maratona de lançamentos no Salão. Mas o ano ainda nem chegou à metade, então ainda tem muito mais coisas por vir.
Já estamos com saudade dos sorrisos e das lágrimas e, principalmente, de ver toda a turma do infantojuvenil reunida num só espaço (coisa rara de acontecer), mas c'est la vie... Ano que vem tem mais! Enquanto isso fiquem de olho no nosso blog pra saber em primeiríssima mão as novidades da nossa querida Escrita.
Até!


(pra ver mais fotos é só curtir a gente no Facebook: facebook.com/EscritaFinaEdicoes)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

"Qualquer chão leva ao céu" na visão de um cigano

Ilustração de Martha Werneck para o livro Qualquer chão leva ao céu
"Cristina
Esta fala é uma homenagem do povo kalom ao seu carinho e a sua dedicação à cultura cigana. Você que não se importou com preconceito e a discriminação dos não ciganos, sendo você mesma uma não cigana, tornou-se uma das mais respeitadas pesquisadoras do povo cigano, trazendo a público seus trabalhos através dos muitos livros já escritos e os muitos que irá publicar. Como dito por você certa vez:  ''Chegar às barracas dos ciganos ou às casas dos mesmos  também foi fruto de persistência e consequente aprendizado, pois que, num primeiro momento, os ciganos se espantaram com meu interesse por suas tradições e foi um árduo trabalho fazer entender-me e explicar minha real intenção com as pesquisas e a publicação dos livros''.
Posso imaginar como foi dura a sua trajetória até aqui, mas valeu a sua determinação. Até agora, tudo sério e acreditável com relação aos ciganos partiu de você, e não podemos esquecer disso. Você nos tirou do anonimato e nos colocou em evidência.
Portanto lhe digo: o que valeria a âncora guardada dentro do navio? Ela só pode ser útil quando lançada ao fundo do mar, atada a uma corda que, presa no navio o ancora e o estabiliza.
E agora eu lhe pergunto, como seria o mundo sem os ciganos? Sem seus acampamentos, suas danças, seus artesanatos, suas cartomantes, seus casamentos, suas festas, seus batizados? Não é de minha imaginação ver o mundo sem os ciganos. Nós somos o povo das tendas, vivendo à beira das sendas, negociantes ou quiromantes, andando nas ruas de cidades em cidades, todos os dias.
Nos reunimos à noite ao redor do fogo para espantar os fantasmas das trevas e conversarmos animadamente  bebendo em pequenas doses nosso café para esquecer nossos algozes.
Você entendeu que somos determinados a viver e defender nossos valores. Nascemos ciganos e, enquanto vivermos nesse planeta Terra,queremos ser ciganos!
Nossa gratidão a sua pessoa que é por nós considerada do povo esquecido, e por muito tempo marginalizado, uma amiga autêntica e grande divulgadora!
Marcos Rodrigues."
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"COMENTÁRIO SOBRE O LIVRO DA CRISTINA

Ao me deleitar com a leitura do livro Qualquer chão leva ao céu, a história do menino e do cigano, de autoria da Cristina da Costa Pereira, faço um breve comentário sobre a obra. Como eu já havia dito, a Cristina é uma grande pesquisadora da cultura cigana. Realmente suas  colocações com base em suas observações no dia a dia dos ciganos, vêm fielmente afirmar uma realidade talvez só vivida pela sociedade cigana.
Tanto a família como os filhos, as crianças, desempenham um papel preponderante na romanipen (vida cigana). Como um cigano kalomautêntico (nasci, cresci e vivi 40 anos como nômade e até hoje mais 20 anos como seminômade), posso afirmar de cadeira tudo isto. Como relatado em meu livro, cuja parte em que falo da família agora transcrevo: ''A vitça ou família nuclear, formada pela união de um homem com uma mulher, é quem desenvolve toda economia doméstica, o casal determina a lei da casa e administra todos os bens desta família e os filhos não opinam, mas acatam as decisões do casal sendo o pai o maior educador dos filhos. Portanto, para  a formação dos casais, damos uma  grande importância ao casamento e ao nascimento de nossos filhos. No casamento, celebramos a perpetuação da hegemonia cigana, já no nascimento de nossos filhos se perpetua a etnia cigana, completando o ciclo de vida do casal e transferindo este ciclo  ao recém-chegado membro desta família."
Por isso vemos a execração deste ciganoprotagonista da história narrada por Cristina, que,  por um descuido, envolve  a família num acidente de trânsito e fatalmente perde a sua parte mais preciosa. Depois, tenta se redimir com a sua família patriarcal, salvando um menor de rua. Porém não convence o seu ato de bravura , pois tenta fazer do menino um cigano.
Portanto colocando o pingo no i, o menino é entregue aos seus familiares para ser educado dentro de seus costumes  e o cigano relapso continuará vivendo isolado pela culpa, mesmo sendo recebido pelos seus.
 Marcos Rodrigues."

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sexta-feira 13 = 13 contos de terror

Foto de Cid Edson: http://www.flickr.com/people/cidedson/

É outono, as folhas caem (aqui no Brasil nem tanto), aquele friozinho no ar... Um chocolate quentinho saindo do fogão microondas. O vento sopra lá fora e bate aquela preguicinha de curtir uma noitada animada com os amigos. Ok, a preguiça é mera desculpa. A verdade mesmo é que hoje é sexta-feira 13 e você taí se remoendo de pavor de sair de casa. 
Não somos nós que vamos dizer pra o senhor ou a senhora tomarem vergonha na cara, deixarem de acreditar em superstições e irem bater cabelo na night. Até porque nós bem temos nossos pavores pessoais. Mas vejam bem: nada de maltratar gatinhos pretos no dia de hoje (ou em dia nenhum)! 
Pra quem prefere não arriscar a passar debaixo de uma escada sem querer em data tão fatídica, temos uma desculpa perfeita: curtir um terrorzinho, sim, porém dentro das seguras páginas de um livro. Tem data melhor que uma sexta-feira 13 pra ler grandes clássicos literários que já bateram as botas? E justamente os contos mais aterrorizantes dessa defuntada ilustre toda? É pra isso que o Lainister Esteves reuniu 13 (sempre ele!) histórias sinistras da literatura brasileira.
Vai um Contos Macabros aí, gente?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Uhul é FNLIJ!




Vêm chegando por aí as duas semanas mais aguardadas da literatura infantil e juvenil. Sim, senhoras e senhores, é o Salão da FNLIJ! Como não podia deixar de ser, a Escrita vai com tudo nesse evento. São 18 dos nossos livros sendo lançados com bate-papo, autógrafo, leitura e tudo o que temos direito!

A décima-quarta edição do Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens vai de 18 a 29 de abril e rola no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro. Mais informações sobre o evento você encontra aqui ó. E a nossa listona de lançamentos vai logo abaixo. 



Título
Autor
Público
Local
Dia
Hora
Qualquer chão leva ao céu
Cristina da Costa Pereira
Jovens
Biblioteca FNLIJ para Jovens
19/abr
11:00
Tem um morcego no meu pombal
Moisés Liporage e Julio Carvalho (il)
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
21/abr
11:00
Pão e arte
Ana Lucia Merege
Jovens
Biblioteca FNLIJ para Jovens
21/abr
15:00
Folia de Reis - A festa em cordel
Fabio Sombra e Sabina Sombra
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
24/abr
14:00
O dono da lua
Ronize Aline e Martha Werneck
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
25/abr
14:00
Família alegria
Cristina Villaça
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
27/abr
10:00
O banho de Nina
Ana Cristina Melo e Cris Alhadeff
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
27/abr
10:00
Maracatu - A festa em cordel
Fabio Sombra e Sabina Sombra
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
24/abr
14:00
Antônio
Hugo Monteiro Ferreira e Camila Carrossine
Crianças
Biblioteca FNLIJ para Crianças
25/abr
10:00
Chuá! Chuá! Gota d´àgua, céu e mar
Mirna Brasil e Camila Carrossine
Crianças
Biblioteca FNLIJ para Crianças
25/abr
10:00
A cobra e a corda
Lucia Bettencourt e Fernanda Morais
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
25/abr
14:00
Botas e bolas
Lucia Bettencourt e Fernanda Morais
Crianças
Espaço FNLIJ de Leitura
25/abr
14:00
A lenda do alecrim
Hellenice Ferreira e Aline Haluch
Crianças
Biblioteca FNLIJ para Crianças
25/abr
15:00
O menino que tinha medo de errar
Andrea Viviana Taubman e Camila Carrossine
Crianças
Biblioteca FNLIJ para Crianças
25/abr
15:00
Amor de mãe d´àgua
Hellenice Ferreira e Luiza Costa (il.)
Jovens
Biblioteca FNLIJ para Jovens
25/abr
16:00
Namoro encantado
Hellenice Ferreira e Luciana Grether Carvalho (il.)
Jovens
Biblioteca FNLIJ para Jovens
25/abr
16:00
Cordel da Candelária
Sandra Lopes e Luciana Grether Carvalho (il.)
Crianças
Biblioteca FNLIJ para Crianças
19/abr
9:00


Nos vemos lá?

terça-feira, 27 de março de 2012

Te dedico!





Já não é mais novidade pra ninguém nosso vício supersaudável em Tumblrs, né? Volta e meia, lá vamos nós jogando algum na roda... Afinal, qual é a graça de descobrir algo genial e não compartilhar? Então... temos mais um novo queridinho =)
Tem gente aqui na Escrita que adora comprar livro em sebo só pra fuxicar a dedicatória alheia (quem será, hein? hehe...). É um pedacinho de história da vida de uma pessoa que pode ressignificar um livro todo. E história é coisa nossa! Às vezes as melhores delas estão nos hipertextos.
É por isso que a louca das dedicatórias quase deu um duplo twist carpado quando deu de cara com o "Eu te dedico", um tumblr só de... dedicatórias! Algumas são de cortar o coração e chorar até desidratar, outras altamente inspiradoras! E tem aquelas que até fazem a gente reconsiderar um livro que absolutamente não leria. 
Mas vai aí um aviso: não clique nesse link se não estiver com o tempo completamente livre. O conteúdo é absolutamente viciante e um convite irrecusável a procrastinação ;-)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Fecha a torneira, gente!

Ilustração de Camila Carrossine para o livro Chuá! Chuá!
A gente jura que não inventa essas mil e uma datas comemorativas. Elas existem de verdade! Hoje, por exemplo, é o Dia Mundial da Água.
Não, não... não é pra abrir a torneira e dar parabéns. Muito pelo contrário! É dia de lembrar a todo mundo que tem mais é que fechar as torneiras e só abrir quando necessário. Galera, a água do mundo tá acabando e isso não é papo só pra Nina dormir, não. É seriíssimo. É só um cadinho de nada da água do planeta todinho que serve pra beber e já tem muita gente sem. 
Há algumas semanas, no lançamento de O banho de Nina, a gente já bateu nessa tecla, mas não custa nada lembrar de novo. Conscientização é bom e a gente gosta! Conscientização com ilustras bonitas... vixe! Aí é que a gente ama! Por isso, no dia de hoje, vão duas recomendações especiais: A Nina, é claro, e Chuá!Chuá!. A Nina explicacomo economizar e Chuá! Chuá! explica como a água "funciona".
Já pararam pra pensar como é que a água da chuva vai parar lá em cima? E de onde vem a água que a gente bebe? É explicando esses detalhezinhos que a gente faz os pequenos pensarem, pensarem, pensarem... e chegarem às suas próprias conclusões sobre consumo consciente! 
Lembrando que esse papo todo de economia não serve, de modo algum, como desculpa pra não escovar os dentes depois de comer, ouviram? ;-)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Por favor, onde é a sessão de livros infantis?

Foto: Amelia Schmidt
O blog anda paradinho, paradinho... a gente só anda aparecendo por aqui pra sair dando parabéns pra uma galera aí que merece muito ser homenageada. Mas antes de fazer a homenagem (merecidíssima) de hoje, vai um aviso: é só o blog, hein? A editora mesmo está a todo vapor. Estamos naquele período básico quando a gente produz um monte de coisa ao mesmo tempo, mas não tem nada realmente pronto. Mas segurem a onda aí que, quando essa penca de livros toda for lançada, será um Deus nos acuda! 
Agora voltemos à programação normal ;-)
Aparentemente esta é a semana internacional dos profissionais dos livros, já repararam? Segunda foi o Dia do Bibliotecário e a gente ficou até sem-graça de fazer post especial depois de ver o que Fundação Biblioteca Nacional preparou pra eles. Deixamos  pra quem mais sabe do assunto as luzes da homenagem mas quem acompanha a gente no Twitter, pegou todas as dicas da programação da @FBN . Hoje é Dia do Livreiro ou do Vendedor de Livros, moços e moças que andam rareando por aí devido ao crescimento das vendas pela internet. Mas eles ainda existem!
É bem verdade que as livrarias pequenas, daquelas onde a gente passava hoooooras procurando a próxima bola da vez literária, quase não existem mais. 
Mesmo sumidinhos, nós sabemos que vocês ainda estão por aí. Principalmente naquele aperto de achar o livro X dentro de uma livraria de três andares =) E,lembrem-se, se o mundo moderno os impedir de curtir esse emprego do jeito devido, abracem a tecnologia e venham pros blogs. Os donos de livraria podem até acreditar que a gente não precisa mais de vocês, mas é balela. Todo mundo curte entrar numa livraria querendo comprar um livro e acabar descobrindo um mundo de outras possibilidades.... graças aos conselhos do vendedor =)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Para as mulheres... e pros homens também!

We don't need no stinkin' gender norms, de Kaptain Kobold


Ah, esse tal de ser humano que não se conforma com o fato de que todo mundo é igual, todo mundo é gente! Precisa inventar hierarquias e preconceitos, precisa criar padrões de "normalidade" (como se existisse pessoa normal neste mundão, já que cada um é cada um), precisa ditar quem precisa viver de que jeito... E ainda jogam a culpa na pobre coitada da Natureza! É tanta atrocidade sendo jogada na conta da tal, que não é de se espantar que ela ande muitíssimo irritada com a gente. Aí o tal do ser humano ainda tem a cara de pau de chamá-la de temperamental! Ora pois! Se a gente culpa ela por tudo e nem pra mandar umas florezinhas de vez em quando? Nem pra fazer um cafunezinho? 
Vou contar um segredo pra vocês: não foi a Natureza que disse que mulher tem que ser magra, linda, competente, cuidar de filho, marido e casa. A Natureza também nunca deu declaração pública dizendo que todo homem tem que ser machão e provedor. Fomos nós, Homo sapiens, todos trabalhados na mutação do cérebro gigante pra, supostamente, sermos mais inteligentes, que inventamos essa história DO NADA.
Sim, queridos, foi DO NADA. De natural nisso tudo é só a maternidade e olhe lá! A gente gosta de inventar essas regras doidas e no final todo mundo sai perdendo. O homem, coitado, tem que ser forte o tempo todo. Já a mulher, se é forte, é chamada de insensível. E não seria muito mais harmonioso se todo mundo cuidasse de um pedacinho da casa? E se as moças se sentissem à vontade com seu próprio corpo e personalidade? E se os rapazes não se sentissem na obrigação de namorar todo mundo, puxar briga e chutar com alguma das pernas? A única parte ruim disso tudo é que a Fina e Lady Fofa não existiriam, já que ser gordinha não seria algo absurdo. A Maria Paula Roncaglia também não teria escrito Do outro lado do muro, pois não existira essa história de "coisa de menino" e "coisa de menina". Mas quer saber? Nossas autoras, provavelmente, adorariam não precisar escrever livros assim. Seria um sinal de que o mundo vai bem, obrigada. 
O Dia Internacional da Mulher não é só uma necessidade feminina. É dos homens também. Todo mundo sai perdendo com esse código de conduta ultrapassado, não é? É um dia de conscientizar o óbvio: cada um sabe de si e deve ser tratado com respeito acima de tudo! Isso vale pra homens, mulheres, gordinhos, magrinhos, gays, negros, brancos, índios, pessoas com tatuagem, piercing, aqueles que nasceram com algum tipo de necessidade especial... 
O ideal seria que essa conscientização existisse todos os dias, 24 horas por dia. Ainda não é assim e um dia a gente chega lá. E quando chegarmos, esses dias especiais não farão o menor sentido. Todo dia vai ser dia Internacional do Ser Humano!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sérgio Bernardo, esse lindo!



Qualquer chão leva ao céu – A história do menino e do cigano, de Cristina da Costa Pereira (Escrita Fina, 2011)

Um livro que envolve o leitor em temas como amizade, solidariedade, família e espiritualidade, para além da temática central do convívio possível entre os diferentes.
Nas suas 142 páginas existe não um conto de fadas, mas a história, que bem poderia ser real, de dois amigos passando por cima de supostas barreiras, como idade e condição social, para estar próximos: de um lado um menino do asfalto, nordestino e pobre, e do outro um cigano banido do grupo, com algumas posses e um grande trauma na vida.
Quando ambos se encontram, cada uma dessas barreiras vai caindo por terra: um garoto pode ter muito a ensinar a um adulto, mais até do que o contrário; e um indivíduo de um grupo étnico aparentemente fechado como o cigano pode estar aberto a revelar aspectos de sua cultura, mostrando não serem tão “estranhos” como se pensa.
Mesmo sem levantar bandeiras, o que fugiria do seu propósito de produzir ficção, Cristina, com este paramiche, convida a uma reflexão sobre o estar no mundo. E faz isso traçando uma linha de pensamento com a leveza e o despojamento necessários para ser entendida pelo público juvenil.
Ao fechar o livro, o leitor saberá que do chão ao céu o caminho não é curto nem fácil de percorrer, mas com boa dose de entendimento, aceitação e espírito solidário, é possível, sim, chegar lá.


[Sérgio Bernardo, fevereiro de 2012]

Sérgio Bernardo é escritor, autor do livro Caverna dos signos e da coluna ”Sem poesia não dá” do jornal virtual Sobrecapa Literal

quinta-feira, 1 de março de 2012

Fica, vai ter Convite Carioca!

Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, por Nicola Antonio Facchinetti. 1884


Primeiro aperte o play!

Na certidão de nascimento são 447 primaveras, mas a gente sabe que o Rio de Janeiro é lindo há muito mais tempo que isso! Os portugueses só compartilharam com o resto do mundo o que os nossos índios já estavam cansados de aproveitar. Sim, meus caros, hoje é aniversário desse forno município lindo onde fica o nosso Q.G. e é, claro, tem homenagem da Escrita!
Não podemos dizer que somos só cariocas. Somos também paulistas, belgas, portugueses, gaúchos e por aí vai. Tem pedacinho da Escrita nos quatro cantos do mundo e pedimos a esses pedacinhos que, só por hoje, não tenham ciúmes da declaração de amor babona que vem a seguir. Na verdade é uma declaração que já veio há tempos, mas é muito oportuna quando o assunto é Cidade Maravilhosa.
Há mais ou menos dois anos, a Sandra Lopes, a carioca mais coruja que já se teve notícia desde Tom Jobim, se juntou com André Cortes e fez uma homenagem definitiva a tudo de lindo que o Rio tem. Assim nasceu o Convite Carioca, pra mostrar pra todo mundo o quão inspiradora pode ser esta cidade. O livro é até bilíngue, pra não deixar ninguém de fora nem dos encantos da poesia da Sandra, nem dos encantos da cidade.
Hoje é dia de poesia, de parabéns, de bolo, de olhar pra nossa cidade com carinho (nossa, porque o Rio é de todo mundo!) e cuidar bem dela. Infelizmente, nem tudo anda tão belo quanto as ilustras do André, né? Mas quem faz nosso Rio de Janeiro é a gente. Bora tratá-lo com muito amor pra que daqui a 50, 100, 1000 anos as palavras de Gilberto Gil continuem fazendo sentido e ele continue lindo.
Aquele abraço, meu Rio!
Feliz aniversário!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vamos animar!



O Oscar é mais ou menos como o Carnaval. A gente reclama da obsessão monotemática das semanas que o cercam, mas no final acaba entrando no clima. Até porque é quase impossível se esconder do assunto. Até quem não viu nada acaba fazendo suas apostas .
Este ano a premiação foi quase completamente metalinguística: os dois grandes favoritos prestavam uma belíssima ode à história do cinema e a dois grandes ícones das telas grandes. O Artista, que fala da transição do cinema mudo para o falado, presta suas honras ao grande Fred Astaire. Já A invenção de Hugo Cabret usa toda a magia da tecnologia atual pra reconhecer a parte que cabe a Georges Méliès como grande precursor da mágica das ficções científicas. Vocês, fãs dos Spielbergs e George Lucas da vida, têm muito a agradecer a esse senhor, viram? Espiem só este curta e entendam do que estamos falando. E não desanimem pelo fato dele ser mudo, não! Vale cada minutinho ;-)
Ah! Um pequeno obs: sabe aquele clipe do Smashing Pumpkins que todo mundo ama? Cem por cento inspirado em Papa Georges! (Ih... será que etregamos a nossa idade com essa?)

Mas o que tudo isso tem a ver com a gente, oras? Além da mágica, das narrativas e de uma dose cavalar de história do Cinema, este ano temos mais um link especialíssimo. Pra quem não sabe, o Oscar tem uma categoria só pra animações. Na verdade, duas: uma para longa-metragens e uma para curtas. Animação tem tudo a ver com ilustração, que tem tudo a ver com a gente, né? Mas não é só isso! Esse ano o curta de melhor animação foi sobre... LIVROS! E já que o Oscar pode ficar puxando sardinha pra brasa dele, nós também podemos puxar pra nossa. Apaga a luz, pega a pipoca e vamos ver juntinhos à The Fantastic Flying Books Mr. Morris Lessmore.
O desafio está lançado: quem não derramar nenhuma lagrimazinha é mulher do padre =) E nem precisa ser alfabetizado em inglês pra se emocionar. Aparentemente esse é o ano dos mudos ;-)


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Com que roupa?

(Atenção: antes de ler, aperte o play aqui embaixo.)
Carnaval Escrita Fina by luiza costa on Grooveshark

Chegou-ooooo-ou a Mangueira chegou-ooo-ou a semana pela qual nós passamos o ano inteiro esperando. É carnaval, folia, confete, chuva, suor e cerveja (mas essa, só pra quem é maior de idade). É samba no pé, miniguarda-chuva de frevo, carros-pipa matando o calor, fila de banheiro químico, Portela na Avenida, fantasias purpurinadas... enfim, aqueles quatro diazinhos onde a ordem natural das coisas é completamente subvertida e tudo é permitido (com moderação, se faz favor!). A época do ano que contagia todo mundo e é impossível ficar de mau humor. 
É bem verdade que nem todo mundo é fã do baticum, mas nem por isso deixa de ser folião. Tem o bloco dos Unidos da Música Clássica, que aproveitam o feriado pra botar em dia toda a sua erudição; tem o bloco do Odeio Carnaval, Mas Vejo Desfile de Escola de Samba Escondido (conheço um mooooonte); tem também os Alternativos Unidos, porque quem não gosta de sambar também tem direito a carná; tem o grupo do Me Deixa que Eu Tô Sossegado, que prfere curtir a festa da carne numa relax, numa tranquila, numa boa... e o nosso preferido: Bloco "Eu Leio Sim, Estou Vivendo. Tem Gente que Não Lê e Está Morrendo". E é pra eles que a gente faz o convite: vem curtir a Acadêmicos da Escrita Fina, vem!
A estrela do nosso carnaval é ninguém menos que Noel Rosa, porque aqui ninguém brinca em serviço. Noel, o menino da Vila é a folia em forma de livro. A união do melhor dos dois mundos: fuzarca e literatura! Tem como entrar mais no clima do que isso? Afinal, aficcionados por livros, como nós, não coneguiriam ficar QUATRO dias consecutivos sem ler nada, né? 
Vocês podem ainda não saber com que roupa vão ao samba, mas o livro já tá na ponta da língua!