quarta-feira, 13 de julho de 2011

Hoje é dia de rock

imagem: http://www.flickr.com/photos/artegabi

"Hoje é dia de rock" era o título de uma peça, que fez um grande sucesso entre adolescentes, jovens em geral, no início da década de 70. O teórico da comunicação, Marshall MacLuhan, dizia, então, que o rock era a literatura daquela época. E não dava pra discordar. Nós, os adolescentes dos anos 70, crescemos ouvindo o melhor rock 'n' roll de todos os tempos, tentando decifrar as letras, que, em geral, continham um simbolismo muito particular, articulado nas cabeças lisérgicas de seus autores. 

Mas, voltando à peça, ela contava a saga de uma família interiorana, que se muda para a cidade grande. No meio disto tudo, aparece Elvis Presley, ainda vivo na época. Eu me lembrei, agora, de um filme do Jim Jarmush, rodado bem mais adiante, nos anos 80, que ainda eram bem roqueiros. Neste filme, o fantasma de Elvis assombra um trem. Elvis encarnava o espírito do rock. Mas os inventores mesmo da música que revolu cionou a cultura do Ocidente foram três gênios negros: Chuck Berry, Little Richard e Screamin ´Jay Hawkins.  O rock é negro, bem como toda a riqueza de ritmos e melodias populares. Os negros inventaram tudo. Os brancos assimilaram.  E muito bem. Como negar que Mick Jagger, um inglês do subúrbio de Londres, de olhos azuis e cabelos alourados, fosse negro?! Os Stones e outras bandas de rock encarnam o espírito negro do rock 'n' roll.

Hoje é dia de rock, esta que foi a maior invenção humana depois da roda e da roldana. Bem, ao menos, para alguns. Aliás, muitos. O rock tem uma capacidade aglutinadora, que nenhuma outra música possui. Ele evoca sempre o espírito da rebeldia. E, ainda que toque em assuntos tristes, é alegre. Um carnaval universal. Uma linguagem que todos entendem.  Quando apareceu e sempre que reaparece, suscita polêmica. Você pode até não curtir, mas ninguém é indiferente ao rock 'n' roll. 

Pessoalmente, devo muito ao rock. Ele era uma espécie de cinema cego para mim. Um filme sem imagens, com sons que traduziam toda uma história. Ele me inspirou e me inspira, desde criança. Eu me lembro bem do dia em que um tio trouxe um compacto - um vinil em miniatura, de "Help", de Londres, e os adultos da família ouviram aquilo estarrecidos, achando que o mundo havia surtado. Mas nós, crianças, achamos o máximo e saimos dançando loucamente. Sim, o mundo havia enlouquecido. No planeta inteiro, havia revoluções que iriam mudar tudo.

Dizem os astrólogos que Urano entrou em áries, em março, e que vai ficar transitando por este signo durante sete anos, o que significa que muitas revolucões, inovações criativas, irão acontecer. E podem apostar que neste céu um cometa vai passar com a cauda de sua rebelião. O cometa rock ´n' roll. Hoje é dia de rock.  Sintonizem no seu rock favorito e desejem parabéns a este senhor eternamente jovem. Ele faz aproximadamente 71 anos de som e fúria. Merece todo o nosso respeito e admiração. Porque o rock 'n' roll é o deboche do mundo. É o sujeito que tira a máscara dos hipócritas e goza
a cara dos mentirosos. So let´s rock.  Rock´n' roll can never die.  Ele vem para nos salvar do tédio. É o messias dos iconoclastas. Hoje é dia de rock! Let´s rock forever!

(Aproveito o ensejo para dizer que, na virada de agosto para setembro, um misterioso livro com o tema - rock 'n' roll - irá sair do forno da Escrita Fina para as estantes das livrarias. Prefiro não dizer ainda o título. A modéstia me impede de dizer quem é a autora. Mas adianto que ela é bem parecida com pessoa que escreveu este texto!)

Mathilda Kóvak